Operário de Curitiba pensa em se tornar bóia-fria no interior
Mauro FrassonSem vagaLeonor Cassemiro, 42 anos, percorre obras, fábricas e agências de emprego há quatro meses: mulher sustenta a casa enquanto ele e o filho não conseguem trabalho.Há quatro meses, o operário desempregado da construção civil Leonor Cassemiro, 41 anos, cumpre uma rotina diária: sai de casa pela manhã para percorrer obras, portas das fábricas e agências de emprego. Já perdeu as contas de quantas empresas visitou e de quantas respostas negativas teve. Sem perder as esperanças, Cassemiro estava ontem em frente à agência do Sistema Público de Emprego (Sempre).
Com a carteira de trabalho nas mãos, ele diz que aceita qualquer coisa, mas reconhece que a falta de estudo e a pouca qualificação profissional fazem dele mais um esquecido na lista de inscritos do Sempre, que no mês passado totalizava 56,9 mil desempregados. Cassemiro tem o primeiro grau completo e com este diploma já disputou uma vaga para motorista de ônibus com concorrentes que tinham curso superior numa Universidade. Eu tinha 10 anos de experiência com ônibus, mas é claro que escolheram quem tem o canudo, lembra.
Cassemiro é casado e pai de um filho de 16 anos, que, como ele, procura emprego. Quem sustenta a casa enquanto o emprego não chega é a mulher Izilda, que trabalha como zeladora em um prédio de Curitiba. Ela ganha R$ 250 e com este dinheiro paga R$ 150 de aluguel, mais água e luz. O que sobra é para comprar comida.
Se ela não trabalhasse, acho que só iria me restar roubar para poder sobreviver. Você não sabe a angústia e o desespero que é não ter um emprego, conta. Como auxiliar de servente, ele diz que ganhava até R$ 300 por mês. Se não encontrar colocação nas próximas semanas, Cassemiro pretende ir para Cianorte, onde nasceu, para trabalhar como bóia fria numa fazenda de café. Quem sabe dê para tirar uns R$ 20 por dia, diz o operário.





