'Operário' cai durante simulação
Os 45 operários de um edifício da Construtora Plaenge, em Londrina, comemoraram 422 dias sem acidentes de trabalho de forma inusitada. Depois de participarem de uma palestra ministrada pelo médico Paulo Aranda, do Ministério do Trabalho, os operários assitiram a uma simulação, com um boneco caindo do alto do nono andar do prédio. Para dar mais realismo à cena o boneco, que estava trajado como um operário, tinha saquinhos de mercúrio-cromo preso ao corpo, estourando com o impacto. Apesar de terem sido avisados, os operários ficaram apreensivos com a simulação.
A técnica de segurança no trabalho Sandra Sueli Ramos, há 27 anos no grupo Plaenge, disse que a marca de mais de um ano sem acidentes é um fato difícil de ser atingido na construção civil. Nessa obra foram feitas palestras semanalmente para os operários, garantiu Sandra. A técnica explicou que acidentes incluem até uma martelada no dedo. Todo acidente que afasta o funcionário da obra é computado.
No ano passado, a construtora contabilizou 18 acidentes, sendo que houve uma redução de 94% na ocorrências em seus empreendimentos residenciais. Atualmente, a Plaenge tem quatro edifícios em construção em Londrina.
Na palestra, o médico Paulo Aranda explicou a importância dos cuidados com a segurança trabalhista. De acordo com Aranda, no ano de 1.700, na Europa, um médico já havia catalogado 50 doenças relacionadas com profissões, como trabalho em minas de carvão e de chumbo. A partir daquele ano, durante as consultas, os médicos se habituaram a perguntar ao paciente qual a profissão que exercia. As profissões, segundo Aranda, acarretam sintomas específicos.
No Brasil, conforme Aranda, a legislação trabalhista (Lei 6514, de dezembro de 1977), mudou as relações entre patrões e empregados. Em se tratando da construção civil, as empresas que não cumprem a lei são embargadas e interditadas, assegurou Aranda. Os operários, para trabalhar, necessitam de equipamento de segurança individual, composto por capacete, botina, luvas, protetores de ouvido e de rosto.
Segundo Aranda, existem quatro atividades que estão mais propensas a acidentes. Trabalhos com energia elétrica, líquidos inflamáveis, explosivos e radiação ionizante, como raio-x e máquinas para quimioterapia oferecem maior risco, afirmou.





