Operadoras de transporte vão atuar por 15 anos
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terça-feira, 14 de outubro de 2003
Guto Rocha<br> Reportagem Local 
A Câmara Municipal recebeu ontem pela manhã o projeto de lei do Executivo que autoriza a abertura de licitação para o serviço de transporte coletivo em Londrina. O projeto foi entregue pelo prefeito Nedson Micheleti (PT), que observou que a licitação vai prever a divisão da cidade em pelo menos dois setores e as empresas vencedoras serão autorizadas a operar pelo período de 15 anos.
Segundo o prefeito, esta será a primeira vez que o serviço passará por licitação pública. ''Em 1977, a empresa que operava em Londrina recebeu o direito de prestar o serviço de transporte através de uma concessão direta'', lembrou. A expectativa é que o projeto seja aprovado antes de 25 de novembro, data-limite para o municípios apresentarem projetos para o Programa Pró-transporte, que disponibiliza recursos de R$ 250 milhões.
O prefeito observou que uma das mudanças previstas é a informatização do sistema, o que inclui a bilhetagem eletrônica. Com isso, o sistema poderá ser monitorado e o fluxo dos ônibus controlado de acordo com as demanda de cada linha.
Já com a bilhetagem eletrônica, diz Micheleti, os usuários do sistema poderão fazer a integração sem precisar se dirigir até um terminal. ''Isso vai reduzir o afluxo de ônibus no centro, melhorando o trânsito na região e a qualidade do ar.'' Ele observa que a adoção do sistema eletrônico não irá reduzir o número de empregos. ''A figura do cobrador vai continuar existindo, ele será responsável pela venda dos bilhetes dentro o ônibus e orientação de passageiros.''
O prefeito afirma ainda que a implantação de sistemas modernos e melhorias na estrutura não devem comprometer os custos do serviço. Segundo ele, o que encarece a tarifa hoje é a gratuidade para estudantes e o custo da mão-de-obra. ''Os funcionários do transporte coletivo em Londrina tem carga horária de seis horas, contra 7,20 horas em outros município. O passe livre para estudantes e deficientes também tem peso, representando 18% na composição da tarifa. Mas essas conquistas dos trabalhadores e usuários não serão alteradas'', diz.
O presidente da CMTU, Wilson Sella, observa que na nova modelagem está prevista o fim do atual sistema de linha fixa. No novo edital, as empresas que forem operar o serviço vão trabalhar por região. ''O atual modelo engessa o sistema, porque se houver alguma alteração viária num determinado bairro, o itinerário não pode ser mudado'', explica.
A modelagem para o serviço de transporte está sendo elaborado pela empresa brasiliense CT/BR Consultoria. Sella afirma que hoje uma primeira versão deve ser apresentada para a prefeitura. ''Mas teremos outras versões, até chegarmos a melhor'', comenta. O novo modelo será apresentado à população durante uma audiência pública no dia 30 deste mês.
O presidente da Câmara, Orlando Bonilha (PL), disse acreditar que o projeto será apreciado em breve. ''Mas não vamos atropelar o processo, já que o serviço de transporte é complexo, e o vereadores precisam analisar bem'', comenta.


