Operador de central depõe de novo
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quinta-feira, 11 de outubro de 2001
Marta Medeiros <br> De Maringá 
A Polícia Civil de Maringá acredita que centrais clandestinas semelhantes às localizadas na cidade, nas duas últimas semanas, podem estar em operação em diversos pontos do País. Um dos ''operadores'' das centrais, Alex Honorato da Silva, voltou ontem na 9ª Subdivisão Policial de Maringá (9ª SDP) para um novo interrogatório.
Segundo Alex, os principais responsáveis pela quadrilha, Ederaldo Félix dos Santos e Idiane Aparecida Wolff, chegaram a manter uma central em Caxias (RS). Os dois são de Presidente Castelo Branco (26 km de Maringá) mas ainda não foram localizados pela polícia. Alex também disse que precisou se especializar nos números de 1 a 10 em inglês para compreender os pedidos de ligações feitos por pessoas do Oriente Médio.
Ederaldo e Idiane são apontados como as pessoas que criavam e mantinham ''financeiramente'' as centrais telefônicas. Idiane é quem contratava os operadores e Ederaldo fazia a ponte entre pessoas de Foz do Iguaçu ou Paraguai e os interessados nas ligações clandestinas de diversos países do exterior, principalmente do Oriente Médio.
Desde o início do caso a polícia localizou cinco centrais, sendo uma em Sarandi e as outras quatro em Maringá, todas com 46 linhas. Através do vendedor José Antonio de Sá, detido anteontem, com 11 linhas em sua casa, a polícia prendeu em Cambé, Marcos de Oliveira. Ele tinha outras 10 linhas e computadores e disse apenas que comercializava linhas para pessoas de Maringá. Oliveira negou envolvimento com a quadrilha de Ederaldo.
A partir de informações de Oliveira, a polícia de Maringá localizou ontem, no bairro do Aeroporto, uma central desativada que havia sido operada há cerca de quatro meses com 11 linhas de telefone. Cópias das faturas foram encaminhadas para a Interpol (polícia internacional). A polícia suspeita de ligações para grupos terroristas e de negócios para lavagem de dinheiro do narcotráfico brasileiro.
As primeiras investigações apontam que as ligações feitas por Maringá e Sarandi podem ter sido transferidas por computador para o Rio de Janeiro e São Paulo. O fato das ligações serem feitas sempre a partir da meia-noite - quando já é horário de expediente bancário e comercial naqueles países - também chama a atenção da polícia.
Apesar dos indícios sobre Ederaldo e Idiane, a polícia de Maringá ainda não pediu a prisão temporária dos dois. Segundo o delegado adjunto da 9ª SDP, Nilson Rodrigues da Silva, o crime até agora configurado é o de estelionato, mas a polícia ainda não tem ''argumentos fortes'' para o pedido de prisão. ''As vítimas são as operadoras de telefone (Embratel e Telepar Brasil Telecom) e até agora nenhum representante dessas empresas procurou a polícia'', contou o delegado. ''Ainda sim estamos investigando o paradeiro de Ederaldo para que ele nos diga quem o contratou para criar as centrais'', acrescentou Silva.
Em faturas recolhidas ontem de uma central desativada, a polícia localizou pela primeira vez ligações para os Estados Unidos, Paraguai e países da Europa. Grande parte das contas concentra ligações para o Oriente Médio, principalmente para a Arábia Saudita. (Colaborou Luciano Augusto)


