Trinta e três mandados de prisão e outros 36 de busca e apreensão foram cumpridos ontem de manhã no Paraná, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, na Operação Veredas, da Polícia Federal (PF). Dentre os presos, oito são policiais da base de Ourinhos (SP) da Polícia Rodoviária Federal. Há também fiscais das agências reguladoras do transporte em São Paulo (Artesp) e Santa Catarina (Deter) e funcionários de três empresas de transporte rodoviário: Garcia, a Andorinha e a Nossa Senhora da Penha. Dentre os presos, está o presidente do Sindicato dos Policiais Rodoviários Federais de São Paulo.
No Paraná, cinco pessoas foram presas, sendo duas em Londrina, uma em Maringá, uma em Curitiba e uma em Cambará - todos funcionários de empresas. Um terceiro mandado de prisão expedido para um morador de Londrina foi cumprido em Presidente Prudente, no interior de São Paulo. Em Londrina, foi preso um funcionário da Garcia e outro da Nossa Senhora da Penha.
Os presos são suspeitos de participar de um esquema de fiscalizações, multas e apreensões direcionadas contra as empresas concorrentes às supostamente envolvidas no esquema, nos estados do Paraná, São Paulo e Santa Catarina. ''Eles se dividiam em três grandes grupos. Os funcionários entravam em contato com policiais e fiscais e solicitavam apoio, mediante pagamento, para reter, parar ônibus com mercadorias e aplicar multas nas empresas concorrentes, para prejudicá-las'', explicou o delegado Wagner Pereira, que veio da PF de São Paulo especialmente para acompanhar a operação.
Outro exemplo dado pelo delegado foi o pedido de retenção do ônibus devido a alguma irregularidade, para que a empresa envolvida no esquema pudesse fazer o transbordo dos passageiros, tendo o direito de receber o valor das passagens por isso. Pereira afirmou que algumas das penalidades aplicadas eram fundamentadas e outras, não, e ressaltou que os servidores públicos não podem receber vantagens para cumprir seus serviços. Segundo ele, as multas aplicadas dentro do esquema poderiam variar de R$ 2 mil a R$ 50 mil.
Segundo o delegado, dentre os crimes que teriam sido praticados estão corrupção ativa e passiva, prevaricação, tráfico de influência, tráfico de drogas e armas, peculato, desvio (alguns ficariam com parte das mercadorias apreendidas) e formação de quadrilha.
Apesar de a ação ter sido definida pela própria PF como ''concorrência criminosa e desleal em benefício de empresas de transporte terrestre'', Pereira informou que não há provas que indiquem a participação de nenhum diretor das empresas envolvidas. Questionado, durante entrevista coletiva, se os diretores seriam ouvidos, o delegado respondeu que isso vai depender do delegado que assumir o caso em São Paulo.
Pereira não soube esclarecer se o funcionário da Viação Garcia teria praticado os crimes dentro da empresa ou enquanto trabalhava em outro local.
Ontem, às 15 horas, os detidos do Paraná partiriam do Aeroporto de Londrina, juntamente com outros dez presos de Florianópolis, para São Paulo, onde devem ser ouvidos pela PF e ficar detidos por pelo menos cinco dias.
A Veredas é um desdobramento da Operação Oeste, que, em 26 de março deste ano, cumpriu 48 mandados de busca e apreensão e 42 de prisão de suspeitos de integrar uma quadrilha de sequestradores que agia em São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Goiás. Dentre os presos, estavam policiais civis, federais e rodoviários.
A Viação Garcia não retornou a ligação da reportagem até o fechamento do caderno. Na sede da empresa Penha, em Curitiba, a informação foi de que todos os diretores estavam viajando. O departamento jurídico da Viação Andorinha, em Presidente Prudente (SP), informou que até ontem a empresa não tivera acesso ao inquérito da PF e desconhecia os crimes pelos quais seus funcionários foram presos.(Colaborou Vanessa Navarro)

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