Delegados de Londrina e região estão tendo que se desdobrar para cobrir o desfalque no efetivo da 10 Subdivisão Policial (SDP), já esperado nesta época do ano. O deslocamento de 17 delegados, investigadores e escrivães para o Litoral e o Oeste paranaenses coincidiu com as férias de outros policiais. Essa combinação deixou dois distritos policiais (DPs) de Londrina sem delegados titulares.
Um deles é o 3º DP, na Zona Oeste, que concentra localidades com grande número de ocorrências policiais. O delegado José Ângelo Pelisson, responsável pelo distrito, foi um dos escolhidos para trabalhar nas operações Verão realizada no Litoral do Paraná e Costa Oeste, feita em cidades como Foz do Iguaçu e Guaíra. Outro delegado deslocado foi Marcelo Sakuma, do 1º DP, que abrange a área central e ficou sob responsabilidade de outro titular, Marcos Belinati. As operações começaram no último dia 18 e seguem até o final de fevereiro.
Segundo o delegado-chefe da 10 SDP, Jurandir Gonçalves André, dos 17 policiais destacados para as operações especiais, 12 são de Londrina. Ele não soube informar as funções de cada um. O efetivo policial da cidade já é, normalmente, deficitário: são 18 delegados, 20 escrivães e 70 investigadores. Apesar disso, André garante que ''os serviços prestados não serão prejudicados em Londrina e região''.
''Fizemos as readequações necessárias e a demanda já foi suprida'', justificou. O delegado do 5º DP, José Arnaldo Peron, que atende a Zona Norte outra região com alto índice de ocorrências vai acumular a responsabilidade também pela Zona Oeste. ''Não muda nada, temos que dar andamento às investigações como sempre'', resumiu Peron.
O delegado-chefe da 10 está confiante de que não haverá aumento da criminalidade durante esse período, como ocorreu em anos anteriores. ''Houve, na verdade, um decréscimo no número de crimes graves. Tínhamos uma média de 25 a 30 homicídios dolosos (crime cometido com intenção ou premeditado) por mês e em dezembro, até agora, foram apenas quatro'', compara. Somente entre dezembro de 2001 e fevereiro de 2002, Londrina registrou 67 assassinatos. Durante aquele período, foram enviados 19 policiais civis para a Costa Oeste.
No início deste mês, a Comissão de Segurança Pública e Defesa do Consumidor da Câmara de Vereadores se reuniu com os chefes das polícias civil e militar para tentar evitar o desfalque de policiais em razão de operações de fim de ano. O presidente da comissão, vereador Jamil Janene (PDT), chegou a enviar um requerimento para a Secretaria de Estado de Segurança Pública pedindo que não fossem deslocados policiais de Londrina.
As operações de verão, contudo, não são o único motivo do decréscimo no número de policiais. O período de dezembro a fevereiro concentra grande parte do vencimento de férias de delegados, admite André, sem precisar quantos estão desfrutando do direito atualmente. O 4º DP, que atende a Zona Sul, está sem delegado titular por essa razão. Para substituir o delegado Roberto Hummig, foi destacado Algacir Ramos, que acumula a função de delegado do 6º DP responsável por toda a Zona Rural. ''O trabalho pesa sim, mas a gente faz o que pode'', afirma Ramos.
Também há exemplos na Região Metropolitana de Londrina. O delegado de Cambé (13 km a oeste de Londrina), Antônio do Carmo, está responsável também pela delegacia de Rolândia (25 km a oeste de Londrina). O delegado da comarca, Valter Helmut, tirou férias. ''Nesse esquema, temos que cuidar dos crimes mais graves, não dá para atender tudo'', afirma. Só em Cambé, 34 homicídios foram registrados neste ano.

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