Operação tartaruga pode prejudicar combate à dengue
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 24 de março de 2003
Alexandre Palmar<br> Equipe da Folha 
Foz do Iguaçu - As paralisações de protesto contra a terceirização dos serviços realizadas pelos agentes comunitários de saúde e de endemias em Foz do Iguaçu podem prejudicar a campanha de combate a dengue na cidade. Ontem, mais de 300 trabalhadores deram continuidade a operação tartaruga, iniciada na semana passada, e realizaram novo protesto, desta vez na porta da sede do Poder Executivo, no centro. Com faixas e cartazes, os agentes fizeram um piquete na entrada da prefeitura na tentativa de pressionar o prefeito.
O município alcançou o maior número de notificações no Paraná no ano passado (1.460). Neste ano, são 163 registros. A possibilidade de proliferação da moléstia é usada como forma de pressão contra o governo municipal. Sem o trabalho da maioria dos agentes, apenas um efetivo reduzido continua a orientar a comunidade sobre as formas de erradicar o Aedes aegypti.
Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde, Antonio Marcos de Oliveira, os agentes perderão direitos com férias e 13º salário caso sejam demitidos e contratados pela Cooperativa Mista de Trabalhadores Alto Uruguai, de Erechim (RS) - empresa que venceu licitação para administrar a saúde.
O prefeito Sâmis da Silva (PMDB) reconhece o problema e diz que, por enquanto, haverá uma sobrecarga em quem continua nas funções, mas garante que a terceirização foi a melhor forma de manter os servidores empregados.


