Cerca de 60% das escolas estaduais de Londrina participaram da chamada operação-tartaruga, com redução das aulas de 50 para 30 minutos, segundo estimativa da APP-Sindicato regional. Para o presidente da entidade, Luís Martins de Lima, a expectativa é que até o dia 27, quando está programado o início da greve geral, mais escolas reduzam o tempo das aulas. ''É normal que no primeiro dia não haja adesão de todos. Alguns professores têm receio, pela ameaça de desconto no salário'', disse.

No Colégio Vicente Rijo, o segundo maior de Londrina, os 1.300 alunos da manhã tiveram aula só até as 10 horas e foram dispensados. No total, a escola tem 3.300 alunos. De acordo com o diretor, Carlos Ricardo Caslavsky, os 146 professores entraram em consenso e acataram a recomendação da APP de fazer operação-tartaruga. ''A única exceção é para os alunos de 1 a 4 séries, que vão ter aulas no horário normal porque ainda são pequenos e dependem dos pais para ir embora'', informou.

No Instituto Estadual de Educação de Londrina (IEEL), o maior colégio da cidade com 3.500 alunos e 120 professores, as aulas foram normais. ''Fizemos uma reunião e a maioria decidiu por isso, mas ainda vamos tentar sensibilizar os outros professores'', disse o professor de história Júlio César Costa, favorável às aulas de 30 minutos como forma de protesto.

No Colégio Estadual Professora Beahir Edna Mendonça, no Jardim Paraíso (zona norte), um fato inusitado marcou o primeiro dia de operação-tartaruga: os 37 professores da manhã não aderiram, mas cerca de 300 alunos paralisaram as aulas em protesto. ''Estamos indignados porque o governo nos esqueceu e os professores, que deveriam parar, não pararam'', disse um dos organizadores do protesto, o estudante André Guimarães, 16 anos, que também faz parte do grêmio estudantil da escola.
A divergência entre alunos e professores provocou confusão na escola Beahir. A Polícia Militar e representantes do Núcleo Regional de Educação foram chamados. A diretora do colégio, Sônia Maria de Souza Carraro, classificou o movimento de ''baderna'', e acredita que haverá algum tipo de punição para os ''organizadores''. O próprio presidente do grêmio estudantil, Anderson Joelci Lopes, disse que ''não apóia a bagunça''.

O presidente do grêmio acusa o estudante André Guimarães de ter usado de má-fé e abusado da condição de representante da entidade estudantil. Os alunos consideraram o movimento pacífico e repudiaram a opinião de alguns funcionários, de que a redução das aulas seria uma forma de prejudicar a atual diretora na eleição programada para o próximo mês. Depois de mais de uma hora de discussões, houve o acordo: a maioria dos alunos retornou às salas de aula e os outros foram dispensados.

A APP-Sindicato convocou professores e funcionários para uma concentração hoje, às 10 horas, na sede da entidade, para acompanhar a caminhada que professores e funcionários da UEL devem realizar.

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