Operação Safra avalia saúde de caminhoneiros
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 24 de março de 1998
Benê Bianchi 
Milton DóriaNa estradaBlitz da Polícia Rodoviária na rodovia BR-369: exaustão e uso de medicamentos causam muitos acidentes A 2ª Companhia de Polícia Rodoviária realizou ontem, durante toda a manhã, uma operação especial voltada para o escoamento da safra, na rodovia BR-369, em frente ao parque Ney Braga (zona oeste de Londrina). O trabalho faz parte da Operação Safra/98, iniciada pelo Batalhão da Polícia Rodoviária do Paraná no último dia 20 e que deve terminar somente no final de julho.
Operações como a realizada ontem devem ocorrer uma vez por semana. Nos demais dias, os policiais trabalharão normalmente nos 15 postos da Polícia Rodoviária da região, dando ênfase à fiscalização de caminhões. Segundo o comandante da 2ª Companhia, capitão Washington Alves da Rosa, a intenção é evitar que o número de acidentes aumente nessa época, quando a circulação de caminhões pelas estradas do Estado chegam a ser cerca de 15% superior aos demais meses do ano. O temor é que o número de acidentes aumente na mesma proporção.
Este ano foi registrado aumento de 5% no número de acidentes na área de abrangência da 2ª Companhia. Em 97, nos primeiros três meses do ano, ocorreram 196 acidentes, com 14 mortes e 148 feridos. Este ano, no mesmo período, ocorreram 205 acidentes, com 103 feridos e 16 mortos.
Milton DóriaEletricista Mitsuru: em boas condições
Ainda de acordo com dados da Companhia, a previsão é que circulem, pelas rodovias que cortam o Paraná, 45 mil caminhões por dia. O trecho de maior movimento deve ser o da BR-376 - que liga o Norte do Estado a Curitiba -, principalmente na Serra do Cadeado, entre Ortigueira e Mauá. Por ali deve passar 65% de todo o movimento de caminhões, vindos do Norte do Estado, São Paulo e Mato Grosso, prevê o capitão. Ele acrescenta que 80% da safra de soja deste ano será escoada por rodovias e apenas 20% por ferrovias.
A tendência, nesta época, é o motorista querer fazer o máximo possível de fretes. Para isso, muitos usam rebite (coquetel de remédios que mantém o motorista acordado). A certa hora, ele não aguenta e então acontece o acidente, comenta o capitão Washington.
Também trabalharam na operação de ontem enfermeiros da Autarquia Municipal de Saúde e um eletricista. Enquanto os caminhões eram checados, os motoristas eram convidados a fazer uma avaliação médica.
Segundo o enfermeiro Marcos Rogério Ratto, foi verificada especialmente a pressão arterial dos motoristas. A pressão é a terceira causa de morte no País e muitas vezes o paciente não sente nada.
Milton DóriaLuiz de Oliveira: pressão alta demais
Os motoristas que apresentaram alteração de pressão foram impedidos de continuar a viagem até que melhorassem. Foi o caso de Luiz Carlos de Lima, 45 anos, 18 de estrada. Sua pressão estava 20 por 12, por volta das 9h30. Ele teve que ficar em observação até que a pressão se normalizasse.
Luiz de Lima havia saído de Bela Vista do Paraíso (40 quilômetros ao norte de Londrina) com uma carga destinada a empresa de Londrina. Nessa época o trânsito na estrada aumenta, o motorista fica irritado, diz Lima. Ele comenta que não costuma usar nenhum tipo de medicamento para ficar acordado e que trabalha, no máximo, 12 horas seguidas.
Luiz Rodrigues de Oliveira, 49 anos, há 20 trabalhando como caminhoneiro, chegava de São Paulo ontem de manhã e passou sem problemas pela avaliação médica. Com o aumento do movimento, aumenta também a tensão na estrada, reconhece.
O eletricista Roberto Mitsuru, que auxiliou a Polícia Rodoviária na Operação Safra, se surpreendeu com as condições dos caminhões vistoriados. Uns 90% estão em boas condições. O pessoal está tomando cuidado.
Em pouco menos de uma hora de trabalho ele havia fiscalizado cerca de 35 veículos, checando faróis, lanternas traseiras e setas. O principal problema detectado foi a má conservação das lanternas.


