Lúcio Horta
Uma operação conjunta da Secretaria de Ação Social e Conselho Tutelar, com o auxílio da Patrulha Escolar da Polícia Militar, abordou ontem, no começo da manhã, oito menores que estavam dormindo sob o viaduto da Avenida Santos Dumont (zona leste de Londrina), em frente a um conhecido mocó (prédio abandonado utilizado como abrigo). Segundo os vizinhos, é comum a presença de menores e adultos, de ambos os sexos, que costumam dormir e consumir drogas tanto sob o viaduto quanto no mocó. Há cerca de um ano, um mendigo foi assassinado no local.
De acordo com o Conselho Tutelar, a operação foi realizada porque havia muitas ligações de moradores da região reclamando da presença de pessoas no mocó. O conselho informou que dois dos oito menores abordados têm 11 anos e os outros seis têm idades entre 12 e 15. A secretaria de Ação Social, no entanto, apresentou números diferentes: somente quatro dos jovens abordados seriam menores de 18 anos. Todos eles teriam sido encaminhados para projetos da secretaria por intermédio do projeto Ammigo.
‘‘Eles ficam cheirando cola, aquela do tipo seladora. Passam o dia inteiro aqui’’, disse o auxiliar de escritório Dagmar Aparecido Caetano, que trabalha no Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Urbanas de Londrina e Região (Stiul). A sede do sindicato funciona ao lado do mocó. ‘‘De dia, ficam os menores e, à noite, chegam os adultos’’.
Segundo Caetano, no prédio deveria funcionar uma fábrica de derivados de plástico. Mas a construção foi abandonada pela metade há mais de 4 anos. ‘‘A presença disso aqui atrapalha muito. Porque a gente acaba tendo uma certa insegurança’’, argumentou.
O problema de crianças e adolescentes vivendo em mocós não é exclusivo da Avenida Santos Dumont. Um levantamento da Polícia Militar realizado no ano passado revelou a existência de 39 desses abrigos na cidade. Até ontem, por exemplo, um conhecido mocó da Avenida Duque de Caxias (área central), onde ano passado um menor foi assassinado com 20 facadas, continuava ocupado. O prédio sofreu desmoronamento parcial há cerca de um mês. Ontem, um rapaz estava dormindo em uma cama improvisada no local.
Assim como na Santos Dumont, a intranquilidade também ronda os comerciantes que trabalham na Duque de Caxias. Depois que houve o desmoronamento, os menores sumiram do local, mas voltaram há cerca de 10 dias. ‘‘Estes dias roubaram uma vizinha. E eles ficam quase o dia todo aqui, cheirando cola. A gente tem que ficar atento’’, disse um comerciante que não quis se identificar.
A secretária da Ação Social, Marisa Goettel Nascimento, não tem números atualizados sobre quantos mocós existem hoje na cidade. O último levantamento, feito em março, apontou 14 prédios abandonados e que poderiam estar sendo usados como abrigo. ‘‘Mas nem todos tinham pessoas dormindo. Hoje o número deve ser menor que 10. O nosso trabalho tem inibido a formação dos mocós, inclusive onde ficam adultos’’, disse Marisa.
A secretária afirma que o problema maior em Londrina é um grupo de aproximadamente 14 adolescentes que perderam o vínculo com a família, usam drogas e não conseguiram se encaixar em nenhum dos projetos desenvolvidos pela secretaria. ‘‘Eles têm um grande comprometimento com a droga’’. Ela destacou que a operação realizada ontem é de rotina e não se trata de nenhum ‘‘arrastão’’ para deter menores.
Além dos mocós das avenidas Duque de Caxias e Santos Dumont, pelo menos outros dois podem estar se formando na Avenida Maringá (zona oeste). A informação é da presidente do Conselho Tutelar de Londrina, Maria Helena de Souza Costa Castardo. ‘‘São pontos comerciais abandonados’’, disse. ‘‘E esses adolescentes são os mais resistentes. Já conhecem tudo o que a gente tem para oferecer’’.Abordagem foi feita depois que vizinhos denunciaram existência de mocó nas imediações
Josóe de CarvalhoRedutoConhecido mocó da Avenida Duque de Caxias, onde ano passado um menor foi assassinado com 20 facadas, continua ocupado. O prédio sofreu desmoronamento parcial há cerca de um mês. Ontem, um rapaz estava dormindo no local. Depois que houve o desmoronamento, os menores sumiram do local, mas voltaram há cerca de 10 dias; prefeitura vai determinar demolição do imóvel

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