Operação recolhe peças em desmanche
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 13 de julho de 2000
Edinelson alves Enviado a Ivaiporã Especial para a Folha 
As polícias Militar e Civil, com o apoio da Receita Federal, estão realizando desde o início da semana, em Ivaiporã, uma verdadeira cruzada contra roubo, furto e o desmanche de veículos. Com a participação de 40 homens do 10º Batalhão da Polícia Militar de Apucarana e 15 agentes da Polícia Civil, foi realizada uma operação pente-fino nos quatro ferros-velhos da cidade.
O resultado surpreendeu os policiais, principalmente no Ferro-Velho Fortaleza (Auto Peças Fort-Cart), empresa registrada no nome de Aldo Ventura da Silva, onde foram apreendidas cerca de 440 peças de caminhonetes de luxo. Até um caminhão Mercedes-Benz, modelo 1519, placa de Tatuí (SP), de propriedade de Ricardo Cesar Cavalheri, foi apreendido com 39 peças de caminhonetes, as quais foram compradas no Ferro-Velho Fortaleza e seriam levadas para Altamira, no Pará, sem comprovação de origem ou nota fiscal.
Conforme o tenente Francisco Cardoso, o proprietário Aldo Ventura da Silva está foragido. Ele disse que há cerca de um ano o ferro-velho se instalou em Ivaiporã, coincidindo com um crescente aumento no número de furtos de caminhonetes na região. A partir daí, começaram as investigações.
Além da grande quantidade de peças de utilitários de luxo (Silverado, D-20 e F-1000), a polícia começou a suspeitar da quantia de peças praticamente novas num ferro-velho. Além das peças apreendidas no pátio da empresa, fizemos buscas em duas propriedades rurais do grupo, localizadas próximo a Ivaiporã, onde também encontramos peças e indícios de irregularidades. Isso nos leva a suspeitar de que o ferro-velho era um centro de comercialização. O esquema local pode ser apenas parte de uma grande conexão com outras regiões.
Para comprovar a falsificação da numeração de chassis e adulteração de peças, quatro peritos do Instituto de Criminalística de Londrina começaram ontem a fazer um trabalho de montagem das caminhonetes e outros veículos. Segundo o chefe-adjunto do Instituto de Criminalística, Geraldo Gonçalves de Oliveira, o trabalho deverá ser concluído em quatro dias. Ele explicou que a montagem facilita a fiscalização da numeração e também pode confirmar a raspagem dos números do chassis e dos selos aplicadas nos veículos.
Ontem à tarde, a polícia deu início à vistoria em oficinas mecânicas em buscas de peças ou motores adulterados. Temos que fechar o cerco em todos os setores para que esse tipo de crime seja efetivamente combatido em nossa região, disse o tenente Francisco. Ele informou que outras três empresas da cidade também estão sendo investigadas.
Além da Polícia Militar, participam da operação dos delegados Danilo Cesto, de Apucarana, e Gabriel Botelho de Junqueira Filho, que responde interinamente pela delegacia de Ivaiporã.


