Operação prende 39 policiais em Foz
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quarta-feira, 10 de dezembro de 2003
Gilmar Agassi<br>Reportagem Local 
Foz do Iguaçu Uma megaoperação, com a participação de 200 agentes da Polícia Federal, resultou, ontem, na prisão de 38 policiais rodoviários federais, um policial civil e 11 ''batedores'', pessoas que supostamente trabalhariam como intermediários entre os ônibus carregados de contrabando e os policiais que atuam na região de Foz do Iguaçu. Os agentes federais estão atuando na ''Operação Trânsito Livre'', de repressão ao crime de corrupção do servidor público na área de fronteira com o Paraguai. O Ministério Público Federal acompanha a operação.
Além dos 50 presos até o final da tarde de ontem, outras cinco, sendo dois policiais rodoviários, tiveram mandado de prisão expedido pela juíza da 1 Vara Criminal Federal de Foz do Iguaçu, Paula Weber Rosito. Os agentes federais permanecerão na região em busca dos foragidos. Os detidos são suspeitos de receberem dinheiro para deixar passar ônibus provenientes do Paraguai sem vistoria.
Durante as prisões, dois policiais rodoviários tentaram fugir para o Paraguai, mas foram detidos na Ponte da Amizade. Outro foi preso em Curitiba, onde passava férias. Os policiais rodoviários estão detidos no Batalhão do Corpo de Bombeiros de Foz do Iguaçu, o policial civil foi entregue a seu superior na cidade, enquanto os ''batedores' foram levados para a cadeia pública. Eles responderão pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, facilitação do contrabando e prevaricação.
De acordo com o assessor de comunicação social da PF em Foz do Iguaçu, Marcos Koren, há inquéritos relatando este tipo de corrupção desde 1999, mas o trabalho de investigação foi intensificado no ano passado. Segundo ele, ainda não há previsão de quanto os policiais arrecadaram com a suposta corrupção. Na operação de ontem, em apenas um posto da Polícia Rodoviária Federal (PRF), foram encontrados R$ 8 mil que pode ser o resultado de uma noite de propina.
Koren explicou que a estimativa é que os batedores ofereciam de R$ 200 a R$ 500 por ônibus para que a passagem do contrabando fosse facilitada. De acordo com o assessor, os policiais recepcionavam os ''batedores'', que vinham à frente dos ônibus em veículos menores. Segundo ele, além de receber o dinheiro, os suspeitos também recebiam informações sobre a placa do ônibus que deveria passar sem revista pelos postos de Santa Terezinha de Itaipu e de Céu Azul. Kosse afirmou que os documentos eram preenchidos como se todas as medidas de prevenção tivessem sido tomadas.
Para comprovar o delito e solicitar a prisão dos suspeitos, a PF conseguiu juntar vários documentos. Durante sete meses foram feitas gravações de imagens em que aparecem pessoas fazendo a negociação com policiais. Segundo o assessor da PF, o dinheiro era posteriormente repartido entre os suspeitos. Através de mandados de busca, também foram recolhidos outros documentos e computadores que poderão ampliar as provas.


