Curitiba - Uma operação nacional para garantir a segurança pública e prender procurados pela Justiça terminou ontem com a prisão de 29 homicidas no Paraná. O objetivo seria, segundo o Departamento de Polícia Civil do Paraná, cumprir mandados de prisão nas regiões metropolitanas das capitais e no Distrito Federal. No entanto, um documento interno da Polícia Civil fez com que o coroamento da operação fosse extrapolado. Por determinação do delegado adjunto Francisco José Batista da Costa, todos os órgãos e unidades policiais de Curitiba e do interior do Estado deveriam usar intensamente o maior número de viaturas caracterizadas e de sinais luminosos e sonoros (giroflex e sirene) para ''causar a impressão'' da presença dos carros de polícia em todos os pontos possíveis do Estado.
Assinada no dia 13 de março de 2007, a ordem de serviço nº 004/2007 agendava o horário para que a manifestação policial ocorresse: às 13h do dia 23 de março de 2007. A ordem era para que as viaturas de todos os órgãos policiais transitassem por 15 minutos com os sinais de alerta ligados. O delegado-chefe da Polícia Civil, Jorge Azôr Pinto, confessou que o ''sirenaço'' estava programado e foi cancelado por determinação pessoal na capital paranaense. Ontem, a FOLHA chegou a circular por alguns locais para verificar se o buzinaço ocorreria de fato - conforme documento recebido anonimamente pela reportagem. No Centro de Triagem, um policial que não quis ser identificado disse apenas que a manifestação foi cancelada por ordem da Secretaria de Estado de Segurança Pública.
''Não é padrão nas nossas operações policiais utilizarmos desse tipo de expediente, como um buzinaço ou um sirenaço. Estávamos cumprindo uma determinação nacional. Talvez as palavras não tenham sido colocadas devidamente na ordem de serviço'', justificou Azôr Pinto.
O delegado também não soube dizer quantos mandados de prisão deveriam ter sido cumpridos ou quantos estavam programados para serem cumpridos. ''Não tínhamos um número inicial. Foram feitos mandados de prisão de homicidas na Região Metropolitana de Curitiba, de acordo com os levantamentos do setor de inteligência'', explicou Azôr Pinto. Na operação, foram mobilizados 75 policiais civis (entre delegados, escrivães e investigadores) e 21 viaturas.
A principal prisão realizada pelos policiais foi a de Dirceu Jacobi, de 29 anos, acusado de homicídio, cárcere privado, tráfico de drogas e tortura. Ele foi preso por volta do meio-dia de ontem. Jacobi teria matado a cunhada Aline Emanuele dos Santos, de 21 anos. Ele alega que os dois tiros (um na perna e outro na cabeça) foram acidentais. Jacobi também teria mantido a namorada em cárcere privado por nove meses. Ela teria sido obrigada a comer ração animal e era submetida, segundo relato da vítima, a toda sorte de tortura sexual.
Jacobi foi preso na casa de um primo, em Rio Branco do Sul. Os policiais apreenderam com ele farto material pornográfico - incluindo revistas e fitas de vídeo. Chamado pela polícia de ''Monstro de Colombo'' (pela crueldade que tratou a namorada no cárcere privado), Jacobi nega as torturas e se diz inocente.

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