Operação para roubar depósito da Receita começou em novembro
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quinta-feira, 09 de agosto de 2001
Marcos Zanatta<BR>De Maringá 
A Receita Federal formou uma comissão, inclusive com agentes da Receita de outras delegaciais, para levantar o prejuízo causado pelo arrombamento do depósito de mercadorias estrangeiras de Maringá. No último fim de semana um grande volume de eletrônicos, suprimentos de informática e bebidas foi furtado do armazém através de um túnel aberto em um imóvel ao lado. Toda operação começou em novembro do ano passado, quando o grupo alugou o terreno vizinho revelou ontem o delegado da Receita em Maringá, Décio Rui Pialarisse.
O delegado não quis arriscar valores, mas disse que se fosse para chutar, calcula que pelo menos três caminhões carregados foram retirados do armazém. O que pode chegar a R$ 5 milhões. Alegando que iriam montar uma transportadora e usando documentos falsos, dois homens locaram o terreno ao lado do depósito e construíram um escritório. O local tinha inclusive vigilância externa. De dentro do escritório foi cavado o túnel, com mais de dois metros de diâmetro por sete de extensão.
Parte da terra ficou em sacos plásticos espalhados pelos cômodos do escritório. No local, a polícia encontrou também várias garrafas de bebidas vazias, embalagens de marmitex, energizantes e caixas de rádio comunicador. A suspeita da Polícia Federal, que investiga o caso, é que a mercadoria furtada está em alguma propriedade da região.
Segundo Pialarisse, o armazém da receita tem 1,8 mil metros quadrados, e era um silo de cereais. Para chegar até o interior, os ladrões tiveram que cavar por baixo do antigo piso rebaixado porque as paredes têm 40 centímetros de espessura em concreto. Funcionários do depósito contam que os alarmes foram cobertos de graxa e tiveram os sensores desviados dos corredores.
Nas paredes do túnel ficaram inscrições como C.V. (Comando Vermelho) e PCC (Primeiro Comando da Capital), organizações criminosas que agem principalmente em São Paulo e Rio de Janeiro. Uma rede de futebol encontrada no local pode ter servido para descer a mercadoria das prateleiras de até sete metros de altura. O portão de acesso ao terreno pela mesma avenida onde fica o depósito da receita foi lacrado, e os ladrão abriram uma nova entrada pelos fundos, com acesso pelo antigo leito da ferrovia.
Para despistar, no sábado passado, os responsáveis pela transportadora dispensaram os vigilantes alegando que muitos caminhoneiros estariam no pátio da empresa, para a inauguração. O delegado conta que no sábado e no domingo o grupo fez muito barulho, como se estivessem mesmo inaugurando o local. Para a polícia, os vigilantes disseram que entre 15 e 20 homens estavam no local.


