Operação na Vila Parolin resulta em 48 prisões
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terça-feira, 10 de maio de 2005
Andréa Bordinhão<br>Equipe da Folha 
Curitiba A secretaria de Estado da Segurança divulgou ontem o balanço da operação realizada desde o último dia 5 na Vila Parolin, em Curitiba. Batizada de Alvo 2, a ação mobilizou 700 policiais civis e militares na favela e resultou em 48 prisões, 26 mandados de busca e a apreensão cumpridos, dois fugitivos encontrados, três armas, três máquinas caça-níqueis, entre outros. A secretaria também divulgou um relatório sobre a operação em Foz do Iguaçu (veja box).
A Operação Alvo 2 aconteceu nos mesmos moldes da Vila das Torres, também em Curitiba, há pouco mais de dois meses. A polícia cercou a favela com um grande efetivo policial, cumpriu mandados de prisão, busca e apreensão, revistou diversas pessoas e carros. Apesar da ação contra criminalidade, novamente alguns moradores reclamaram da truculência dos policiais. Com o fim da operação, serviços sociais disponibilizados pela prefeitura começam a funcionar no local.
Segundo balanço da secretaria, também foram encontrados 11 pássaros silvestres, cerca de 200 metros de fio de cobre, 500 gramas de cocaína, cigarros falsificados, municação e aparelhos eletrônicos apreendidos. Mais de 100 bares e estabelecimentos comerciais e aproximadamente 550 veículos e motos foram revistados, além de 2,5 mil pessoas abordadas. ''Agora estamos com 240 policiais divididos em turnos e vamos diminuindo aos poucos'', explicou o comandante do Policiamento da Capital, coronel Silvio de Moraes Sarmento.
Apesar de alguns moradores relatarem que a informação sobre a operação vazou e os principais traficantes teriam saído do local (conforme mostrou reportagem da Folha do último dia 6), os coordenadores do trabalho consideram um sucesso. ''Conseguimos bons resultados e tivemos a adesão da população'', afirmou o coronel Sarmento. A polícia não descarta a possibilidade de vazamento de informação, porém considera que o principal objetivo da operção é, na verdade, ''congelar'' a criminalidade e dar espaço para que serviços sociais cheguem mais perto dos moradores sem interferência dos marginais. ''Vamos colocar um módulo policial no local e os serviços sociais já estão lá desde o primeiro dia'', explicou o comandante do Policiamento da Capital.
Quanto às denúncias de violência, o delegado do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) que comandou a operação pela Polícia Civil Marcus Michelotto, foi enfático: ''A população só não está acostumada com a polícia nas ruas. Mas quem é de bem agradece. Eu não vi ser dado um tapa, não foi derrubada uma porta e não teve um tiro'', garantiu.
Um morador enviou ontem uma carta à imprensa reclamando da truculência com que o Cope cumpriu um mandado de busca e apreensão. Michelotto alegou que apura todas as denúncias e não simplesmente defende policiais. ''Mas quando um policial vai cumprir um mandado ele não sabe o que vai encontrar na casa. E eu prefiro um bandido morto do que um policial ferido.''
Com o fim da operação, a prefeitura vai agora manter serviços sociais no local como programas como o regaste social, de erradicação do trabalho infantil (Peti), Vale-Vovó, SOS Idoso e cursos para capacitação profissional nos liceus de ofícios. Equipes de secretarias municipais vão realizar trabalhos como a limpeza do Rio Guaira, roçada nas ruas principais, implantação de antipó e manilhamento, além de ações das áreas de abastecimento, esporte e lazer e cultura.


