Curitiba Cinquenta máquinas foram lacradas e dez pessoas autuadas ontem pela manhã, em Curitiba, na Operação Caça-Níqueis promovida pela Promotoria de Investigação Criminal (Pic), Grupo Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gerco) e Instituto de Criminalística. Foram visitados 20 estabelecimentos, entre lanchonetes e casas lotéricas. Os proprietários autuados mantinham máquinas irregulares, o que é considerado prática de contravenção penal prevista na lei que dispõe sobre jogos de azar (artigo 50, da Lei de Contravenções Penais).
Se condenados, os dez proprietários autuados poderão cumprir pena de prisão de três meses a um ano, além do pagamento de multa. Se o lacre colocado pelas autoridades for rompido ou a máquina for removida do local em que foi encontrada, o proprietário ainda poderá ser processado por prática de crime previsto no artigo 336 do Código Penal (crime de rompimento de lacre), que resulta em pena de um mês a um ano de detenção.
Para o promotor de Justiça, Luiz Fernando Delázari, que coordenou a operação, o objetivo da ação é identificar as associações criminosas donas do negócio, bem como a origem e o destino do dinheiro utilizado nos caça-níqueis. Segundo o promotor, a operação, que terá continuidade, quer acabar com esse tipo de jogo no Estado. ''As provas indicam que a questão dos caça-níqueis está inserida em um contexto muito maior: há envolvimento de grandes grupos mafiosos internacionais, que se utilizam deste comércio para a prática de crime de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal, além de formação de quadrilha'', diz Delázari.
Segundo estimativas do Ministério Público Estadual, esse comércio movimenta cerca de R$ 40 milhões por ano no Paraná. Em São Paulo, o montante é de cerca de R$ 100 milhões. A operação, que deve continuar nas próximas semanas, em Curitiba e no interior, faz parte das atividades do Gerco, instituição criada pelo Ministério Público estadual e federal após a morte do promotor de Justiça mineiro Francisco do Rego Santos. Ele foi assassinado em 25 de janeiro deste ano, por um proprietário de posto de combustível, enquanto investigava casos de adulteração do produto em Belo Horizonte.
Hoje, o grupo atua em três frentes de trabalho: combate ao cartel e adulteração de combustível, combate ao crime organizado no sistema penitenciário e combate aos caça-níqueis.

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