Treze pessoas foram presas, inclusive o delegado e investigador da Polícia Civil, acusados de envolvimento com o jogo do bicho em cidades da região de Londrina. As prisões fazem parte da Operação Jogo Sujo II, iniciada em dezembro do ano passado, realizada pelo Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco), em parceria com a Corregedoria da Polícia Civil do Estado.
Além dos mandados de prisão, o juiz Marcus Renato Garcia, de Faxinal, determinou a apreensão de 34 veículos, busca domiciliar em 29 endereços, bloqueio de 11 contas bancárias e o sequestro de quatro imóveis. Até agora, já foram contabilizados a apreensão de R$ 50 mil e 15 mil euros de vários locais, além das máquinas utilizadas para as apostas.
Segundo o promotor do Gaeco, Claudio Esteves, as investigações de quatro meses indicam para um esquema encoberto com ajuda de agentes públicos. ''Temos evidências de que algumas pessoas vêm dando proteção ou omitindo para facilitar a prática em torno do jogo'', revelou. Para isso, esses agentes recebiam propina para fazerem ''vistas grossas'' à contravenção. ''Ainda não sabemos ao certo quanto recebiam, mas os valores eram diferentes dependendo do cargo'', comentou, dizendo que o código para propina era a palavra ''alvará''.
As investigações apontam ainda que os pagamentos provavelmente eram feitos mensalmente. ''Estimamos que as propinas representam apenas 1% de todo o valor movimentado'', disse Esteves, sem mencionar valores. Conforme o promotor, as máquinas usadas na realização dos jogos eram distribuídas a partir de uma central informatizada em Londrina, que comandava as apostas. ''Estas, entretanto, acreditamos que eram remetidas a uma outra central que fornece o sistema no estado de Goiás.''
O delegado do Gaeco, Alan Flore, diz que as pessoas envolvidas serão indiciadas por corrupção ativa e passiva, formação de quadrilha e alguns por lavagem de dinheiro. ''Temos dez dias para concluir o inquérito instaurado no último dia 25. Depois, entregamos ao MP para oferecer denúncia'', finalizou. Tanto o promotor quanto o delegado não quiseram falar em nomes dos envolvidos, mas afirmaram terem prendido um dos integrantes que tinha a função de direção do jogo em Londrina, que atuva na central de jogos. Das pessoas presas, cinco são de Londrina.
Além dos mandados de prisão, três foram presos em flagrante por posse ilegal de arma. ''Uma 14 pessoa, a qual não tinha mandado, foi presa por posse. Um mandado ainda não foi cumprido; estamos atrás da pessoa'', relatou Esteves.

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