Sertanópolis - O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Polícia Florestal iniciaram ontem uma operação especial para inibir a pesca predatória nos rios da região Norte do Estado. Até o dia 29 de feveiro acontece a piracema, época de reprodução dos peixes e de grande movimentação nos rios e represas. Neste período, a pesca é proibida. ''Os flagrantes amedrontam os pescadores'', revelou o sargento florestal Amilton Barbosa Bueno, que coordenou a fiscalização feita ontem pela manhã na Represa Capivara, em Sertanópolis. A partir de hoje, o patrulhamento na região será diário.
Ele explica que a pesca em rios, durante os próximos três meses, está totalmente proibida. A penalidade para quem burlar a lei é de 1 a 3 anos de prisão. Já em represas só são permitidos pescadores devidamente licenciados e com equipamentos em conformidade com a lei: rede malha 10 (ou maior), tarrafa malha 7 (ou maior) e espinhel para profissionais; caniço simples, com molinete e linha de mão para amadores. A multa para os que não tiverem a situação regularizada varia de R$ 500 a R$ 2 mil. Estão isentos da licença menores de 18 anos, maiores de 65 anos e aposentados.
Até por volta das 11 horas, uma rede irregular foi desmontada e duas embarcações foram autuadas. Numa delas, estava o empresário Geraldo de Souza, de Apucarana. Ele passeava com amigos pela represa e não sabia da necessidade da licença. ''Eu achava que só era proibido pescar com rede e tarrafa'', argumentou ele que, mesmo sem ter pego nenhum peixe, teve seu molinete apreendido e terá um prazo de 20 dias para pagar a multa ou recorrer.
A pesca na represa Capivara costuma ser intensa mais de 43 toneladas de peixes são pescados ali todo mês. Os dados chegaram ao Ibama em setembro, por meio de uma pesquisa feita pela concessionária da usina hidrelétrica da represa com 200 pescadores legalizados. ''Queremos apresentar projetos que dêem outra alternativa de renda ao pescador nesta época, para que a pesca possa ser totalmente proibida durante a piracema'', revelou a chefe do escritório regional do Ibama, Neusa Maria Emídio.
Uma das sugestões é o incentivo à produção de peixes em tanques-rede ou tanques de continente (tipo pesque e pague), o que permitiria uma renda maior aos pescadores, já que a pescaria é uma espécie de loteria. ''Um dia tem peixe, no outro não'', observou Neusa. Outra vantagem seria a eliminação da figura do atravessador e, consequentemente, economia para o consumidor. ''Hoje, os peixes chegam com o dobro do preço no mercado e custam até 300% mais caro para o consumidor final'', contabilizou.

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