Operação da polícia provoca confusão na Ceasa de Londrina
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quarta-feira, 12 de dezembro de 2001
Maranúbia Barbosa<BR>De Londrina 
O comandante do 5º Batalhão de Polícia (BPM) Militar de Londrina, tenente-coronel Rubens Guimarães, foi ontem à Central de Abastecimento do Paraná (Ceasa) explicar uma operação realizada anteontem à noite no local e considerada desastrosa por cerca de 8 mil pessoas.
A PM foi chamada para respaldar fornecedores que tentavam receber uma dívida de cerca de R$ 200 mil de um comprador inadimplente. Quando a situação já estava praticamente contornada dezenas de policiais em oito viaturas da Ronda Ostensiva de Natureza Especial (RONE) estiveram no pátio da Ceasa, atiraram a esmo com balas de borracha e aterrorizaram os presentes, entre eles mulheres e crianças.
De acordo com o presidente da Associação Norte-Paranaense de Horticultores, João Neto do Prado Souza, o comprador conhecido por Urubici, de Cascavel, comprou produtos e pagou com cheques sem fundos. Anteontem, ao chegar na Ceasa com um caminhão, os fornecedores cobraram dele a dívida. Souza chamou a PM para assegurar que Urubici não saísse do local sem garantir o pagamento. Ainda segundo Souza, os soldados que atenderam ao chamado foram educados e a situação já estava sendo resolvida quando chegaram as viaturas da RONE. Conforme informações de funcionários que assistiram ao episódio, os PMs ordenaram que fosse retirada a viatura que estava no local. ''Tirem essa bituquinha daí'', teria dito um oficial.
O vendedor Antonio Vargas da Silveira, 39 anos, relatou que os PMs ficaram nervosos quando as pessoas presentes começaram a vaiar. Além de Silveira, que tomou um tiro de borracha na altura da virilha, outras pessoas também foram atingidas. ''Acharam que era uma rebelião e desceram a borracha'', criticou o comerciante Vagner Crebi. Após o tumulto, os policiais escoltaram o caminhão de Ubirici que, segundo os fornecedores, foi embora sem pagar a dívida.
O comandante não admitiu que foi à Ceasa pedir desculpas. Para ele não houve truculência. ''Os policiais foram impedir o saque a um caminhão. Como o pessoal estava revoltado eles se defenderam.'' Guimarães afirmou que não vê indícios de erro, mas prometeu averiguar. ''Toda situação tem a versão da vítima, do autor e a verdadeira. É essa que iremos procurar.'' Guimarães também não considerou depreciativa a forma com que oficiais se referiram à viatura dos soldados. ''Falaram isso por se tratar de um carro pequeno.'' Ele não soube informar os nomes dos oficiais que estiveram à frente da ocorrência.
Antes de registrar queixa formal contra a PM o presidente da Associação Norte-Paranaense dos Horticultores vai repassar as explicações do comandante às pessoas que foram agredidas. ''Vamos ver se vão achar convincente'', disse Souza.


