Curitiba - A Polícia Federal prendeu ontem duas pessoas no Paraná acusadas de fazerem parte de uma rede de internautas que capturava dados bancários de clientes e transferiam dinheiro para contas de ''laranjas'' (pessoas previamente aliciadas para abrirem contas correntes em troca de pagamento e comissões).
As investigações, que começaram no Paraná há cinco meses, mobilizaram 280 policiais federais nos três estados do Sul. Foram cumpridos 63 mandados de busca e apreensão cinco deles em Curitiba e Região Metropolitana. Um adolescente de 16 anos, considerado como aficcionado por informática, foi apreendido. A polícia não divulgou os nomes das pessoas presas.
Os mandados de prisão são temporários (por apenas cinco dias). As prisões foram pedidas para que as investigações possam ser aprofundadas. Computadores e documentos bancários foram apreendidos e deverão ser analisados pela perícia técnica. O delegado Omar Haj Mussi, da Polícia Federal, explicou que o nome da Operação PontoCom explica a forma como a quadrilha estava organizada.
Quarenta e cinco pessoas se conheceriam pela Internet e teriam trocado informações sobre a criação de mensagens eletrônicas tipo ''spam'' (janelas que são abertas) que direcionavam os internautas a programas espiões que capturava senhas bancárias. Com as senhas e as contas, o dinheiro era transferido para outras contas bancárias.
''Na prática, os spam quando acessados gravavam um programa na máquina que o internauta estava utilizando e que armazenava os dados bancários para uso da quadrilha. Além de retirar dinheiro e depositar em contas de terceiros, eles pagavam títulos bancários com as contas alheias. Eles também faziam compras na Internet com o dinheiro das contas bancárias dos internautas'', contou Mussi.
As investigações continuam e poderão chegar a outros integrantes da quadrilha nos três estados. A quebra do sigilo bancário, autorizada pela Justiça Federal, revelou um prejuízo estimado em um R$ 1 milhão por mês ao Sistema Financeiro Nacional. Segundo as investigações, a quadrilha já vinha atuando há pelo menos um ano nos estados do Sul.
Os envolvidos, conforme a denúncia e materialização da participação, deverão ser indiciados pela prática dos crimes de furto qualificado, receptação, formação de quadrilha e de interceptação de informática não autorizada. Somadas, as penas variam entre cinco e 15 anos de reclusão. Também foram realizadas ontem prisões e buscas em São Paulo e Salvador.

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