Vistoria nas casas, retirada de lixo de fundos de vale, aplicação de fumacê, além de ações educativas com moradores e alunos de escolas municipais. Essas são as principais atividades da ''Força-tarefa contra a Dengue'', que teve início ontem no Jardim Santa Fé (Zona Leste de Londrina) e que deve durar pelo menos dez dias. Ações também serão realizadas nos jardins Meton, Marabá, Monte Cristo e Morro dos Carrapatos. A Zona Leste é uma das regiões do município que mais preocupam as autoridades, por causa do grande acúmulo de lixo que, consequentemente, podem se tornar criadouros do mosquito transmissor da doença, Aedes aegypti.
Por já ter contraído dengue há cinco anos, o reciclador Lourival Manoel de Santana, 63, que mora bem ao lado do local onde armazena o material reciclável, afirma que agora reconhece a importância de manter tudo limpo e seco. ''Todos os dias, eu desvazio o que tiver com água e procuro me desfazer do que não é necessário. Assim, a gente não junta mosquito'', conta. ''Acho muito importante esse trabalho de limpeza e conscientização sim. Se não tiver a exigência dos orgãos públicos, as pessoas continuam na imundice e a epidemia volta'', acrescenta.
A vizinha Maria da Glória Silva, diz que a comunidade aprova a iniciativa. ''Acho bom mesmo esse trabalho. A coisa está feia por aqui. Graças a Deus meu marido está se desfazendo do ferro-velho e logo não vou mais precisar conviver com essa bagunça'', conta moradora que também já contraiu dengue.
A ação tem a participação de 40 agentes municipais de Endemias e outros 13 educadores que estão realizando a vistoria e orientando os moradores sobre a importância da remoção de objetos que podem se tornar focos do mosquito. Eles alertam também para a retirada de entulhos e materiais despejado no fundo de vale, próximo ao Córrego das Pedras. A operação de limpeza teve início após uma reunião do promotor de Defesa dos Direitos Constitucionais, Paulo Tavares, com representantes da prefeitura.
De acordo com o secretário de Saúde, Edson Antônio de Souza, a intenção é retirar cerca 300 caminhões de lixo da região e visitar, pelo menos, quatro mil famílias promovendo o trabalho de conscientização. ''Com as últimas chuvas, os focos naturalmente aumentam e as consequências disso a gente só vai sentir nos meses de janeiro e fevereiro.''
O secretário de Fazenda, João Carlos Perez, explicou que para a realização da Força-Tarefa o município está remanejando recursos do Fundo Municipal de Urbanização dentro do contrato já existente firmado entre a CMTU e a empresa contratada para a capina e roçagem. Segundo ele, os recursos financeiros somam cerca de R$ 80 mil.
Após a limpeza dos terrenos, a proposta é que a Secretária Municipal do Ambiente (Sema) trabalhe na recuperação da área de preservação permanente do fundo de vale, com plantio de árvores. Outra ação prevista é a instalação de quatro câmeras de vigilância para monitorar os locais de despejo irregular de materais. O secretário de Defesa Social, major Raul Leão de Araújo Vidal, garantiu que as câmeras estarão funcionando nos próximos das dias. ''Instalaremos duas agora e, dependendo da viabilidade técnica (ou seja, presença de postes), instalaremos mais duas depois'', informou.
Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura, uma equipe da Companhia de Habitação (Cohab) constatou que 15 famílias em situação de vulnerabilidade ocupam irregularmente uma área no fundo de vale. Elas foram cadastradas pela companhia.
De janeiro a outubro deste ano já foram confirmados 74 casos de dengue tipo 1 em Londrina, de acordo com o coordenador de Endemias, Elson Belisário. A maior quantidade se concentra na Zona Oeste, com 20 casos (27%). As zonas Norte e Zona concentram 14 casos cada uma, seguidas da Área Central (12 ocorrências), Zona Leste (11) e Zona Rural (3).

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