Uma megaoperação aprendeu ontem mais de 500 pássaros silvestres mantidos em cativeiro em Guaíra (114 quilômetros a oeste de Umuarama). Grande parte das aves havia sido capturada no Parque Nacional de Ilha Grande, formado por quase 300 ilhas do Rio Paraná, no noroeste do Estado. Cerca de 30 fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama), policiais federais e florestais fizeram buscas em mais de 40 casas nas zonas urbana e rural de Guaíra. Uma pessoa foi presa em flagrante e pelo menos 20 autuadas e multadas pelo Ibama.

Situada na divisa com o Mato Grosso do Sul e na fronteira com o Paraguai, Guaíra está sendo considerada uma das principais portas de entrada e saída do tráfico de animais silvestres no Paraná. A outra seria Foz do Iguaçu, onde também estão sendo feitas operações semelhantes. As equipes do Ibama, da Polícia Federal e da Polícia Florestal de Guaíra vão permanecer na região até a próxima semana, checando denúncias de caça e comércio de animais silvestres.

Pelo menos dez criadores flagrados ontem em Guaíra tinham mais de 30 pássaros em cativeiro. Na casa do aposentado Jacques Leite, 65 anos, a Polícia Florestal encontrou mais de 100 aves, gaiolas e armadilhas para captura, dois revólveres e uma espingarda. Leite foi preso em flagrante. A polícia e o Ibama suspeitam que esses grandes criadores capturavam as aves na região do parque para vender a colecionadores. Segundo os fiscais do Ibama, quase todos os moradores de Guaíra têm pássaros silvestres em cativeiro. ''A gente encontra de duas a quatro gaiolas em cada casa. Muita gente vai soltar as aves antes que a fiscalização chegue para apreender'', disse o fiscal José Carlos Ramos.

Quase 200 gaiolas com centenas de coleiros, sabiás, curiós, pintassilgos, azulões, pássaros-pretos, trinca-ferros, papagaios e várias outras espécies foram levadas para a sede do Parque Nacional, onde o Ibama montou um centro de atendimento emergencial. Veterinários da Universidade Parananense (Unipar) examinaram todos os pássaros.

Especialista em animais silvestres, o professor Ricardo Pachaly disse que a maioria está bem e pode ser solta imediatamente. Entre as aves apreendidas estão exemplares de espécies raras e ameaçadas de extinção como o sangue-de-boi, canário-da-terra e o gaturamo.

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