Duas operações envolvendo o Núcleo de Repressão aos Crimes Econômicos (Nurce) da Polícia Civil, o Departamento de Polícia do Interior e as polícias Militar e Civil resultaram ontem na prisão de pelo menos 47 pessoas, a maioria na cidade de Apucarana.
Pela Operação Anti-Spam foram presos suspeitos de participarem do desvio de dinheiro de contas bancárias diversas, via internet, estimado em R$ 3 milhões, só nos últimos seis meses, período em que duraram as investigações. ''São hackers, beneficiários diretos dos valores ou pessoas que emprestaram seus nomes ou contas bancárias. Todos vão responder por furto mediante fraude, cuja pena vai de dois a oito anos, e por formação de quadrilha, com pena de até quatro anos'', informou o tenente Elio Boeing, chefe da agência local de inteligência da Polícia Militar (P2).
Segundo o chefe da Divisão de Polícia do Interior (DPI), Luiz Alberto Cartaxo Moura, foram presas 45 pessoas (de um total de 50 mandados), sendo 36 em Apucarana, sete em Londrina e duas em Guaratuba (Litoral), cidade onde foi encontrado Alan Denis Pereira de Souza Oliveira, identificado como o chefe da quadrilha. Nessas cidades e em Malet também foram cumpridos dezenas de mandados de busca e apreensão.
Segundo Sérgio Inácio Sirino, coordenador estadual do Nurce, as pessoas que cediam seus nomes ou contas bancárias para a transferência do dinheiro furtado virtualmente têm bons antecedentes, e recebiam em troca 10% da operação. Sirino explicou que os hackers, por meio de spams (e-mails não requisitados enviados a várias pessoas ao mesmo tempo), conseguiam ter acesso a todas as informações do computador da vítima, inclusive senhas bancárias. Para tanto, utilizariam um programa específico. De posse dessas informações, conseguiam transferir eletronicamente o dinheiro da vítima para outras contas bancárias previamente definidas.
As prisões foram resultado de seis meses de operação, e mobilizaram cerca de 300 policiais. ''Esse trabalho é resultado de uma nova filosofia da segurança pública, que enxerga a ação policial de um modo mais abrangente. Nunca tivemos um contingente de presos tão grande. O Paraná está dando exemplo para o Brasil'', declarou o chefe da DPI.
Os policiais também apreenderam uma pistola, munições, um quilo de cocaína, carros, computadores, cartões de crédito, eletrodomésticos comprados em sites de compra pela internet e outros. Segundo o tenente Boeing, também foram fechadas uma choperia e uma loja de confecções em Apucarana, que seriam de propriedade do pai do chefe da quadrilha e teriam sido adquiridos com recursos desses crimes pela internet.
Barriga - Concomitantemente, foi deflagrada também a Operação Barriga, da P2 do 10º Batalhão de Polícia Militar, que resultou na prisão de 12 pessoas. Os detidos são suspeitos de integrarem uma quadrilha de tráfico de crack, que comercializaria quase um quilo do entorpecente por semana em Apucarana. A quadrilha já vinha sendo investigada há quatro meses. ''Nós realizamos a operação em conjunto com a Anti-Spam devido ao envolvimento de uma das pessoas detidas nas duas operações'', justificou o tenente Boeing. Outros sete integrantes da quadrilha, que segundo a polícia era liderada por Fernando da Silva, o ''Barriga'', já estavam detidos.
Todos os presos das duas operações foram levados para um ginásio de esportes da cidade. Ainda ontem eles seriam encaminhados para diversas delegacias da região da 17 Subdivisão Policial, já que, com capacidade para 80 pessoas mas com 210 detentos, a Delegacia de Apucarana não tem estrutura para abrigar mais esse número de presos.

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