Ópera de arame é interditada
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 10 de novembro de 2005
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba A Ópera do Arame, espaço teatral que é um dos principais pontos turísticos de Curitiba, foi interditada ontem pela Comissão de Segurança em Edificações e Imóveis (Cosedi) da Secretaria Municipal de Urbanismo. Laudo técnico sobre a situação do imóvel apontou problemas graves na estrutura da obra, como a corrosão generalisada nas bases das colunas principais da construção, com riscos inclusive de desabamento.
O local permanecerá fechado pelo menos por 90 dias, prazo previsto para a realização das obras necessárias, mas os trabalhos podem se estender ainda mais caso ocorram muitas chuvas no período. A prefeitura espera concluir as obras em tempo de realizar a abertura, na Ópera do Arame, das conferências internacionais promovidas pela Organização das Nações Unidas (ONU) sobre diversidade biológica e biossegurança, entre 13 e 31 de março.
Para isso, a prefeitura encaminhou ontem mesmo ao Tribunal de Contas (TC) pedido de autorização para realizar as obras em caráter de emergência. Com esse procedimento, ela ficaria dispensada de cumprir os trâmites normais em obras públicas, como a realização de licitação. ''Todo esse processo inviabilizaria a reabertura da casa para a conferência'', explicou o presidente da Fundação Cultural de Curitiba (FC), Paulino Viapiana.
Construída em 1992, toda em estrutura tubular, o imóvel apresenta hoje inúmeros pontos de ferrugem e áreas corroídas. De acordo com o secretário municipal de Obras Públicas, Nelson Leal Júnior, o prédio chegou à situação atual por falta de manutenção. O laudo técnico, elaborado a pedido da Secretaria, o engenheiro Jefferson Andrade, que foi responsável pelos cálculos estruturais da obra em sua construção, diz que nas condições em que se encontra a estrutura metálica do teatro, há risco ''eminente de colapso parcial ou total'' pelo próprio uso, pela força do vento e até pela presença e circulação de platéia.
Segundo o laudo, foi encontrada ''corrosão generalizada nas bases das colunas principais'', que são os elementos estruturais responsáveis ''pela estabilidade global do sistema''. As vigas mais afetadas são as externas.
O investimento para as obras de recuperação do teatro é de R$ 2,8 milhões. Estão previstas obras de reparação estrutural, com troca de pilares e proteção anticorrosão de toda a estrutura; reformulação do sistema elétrico; e recuperação do telhado, que é feito em policarbonato transparente, e sempre apresentou problemas de vazamento de água.
Também serão realizadas obras de segurança, como a abertura de mais saídas de emergência, alargamento das escadas de acesso ao segundo andar e instalação de guarda-corpo nos camarotes. Essas solicitações já foram feitas pelo Corpo de Bombeiros há cerca de um ano. Na época, por falta de segurança, os bombeiros proibiram o uso do segundo andar. Com isso, a capacidade do teatro, de 1.648 lugares, ficou restringida a 900 pessoas.
Principal ponto turístico de Curitiba, a Ópera do Arame recebe 2,8 mil visitantes por dia. Durante a interdição, os turistas terão acesso permitido apenas à passarela de acesso, que fica sobre o lago de 7,2 mil metros quadrados, que circunda o teatro. A Pedreira Paulo Leminski, que junto com a ópera compõe o Parque das Pedreiras, será mantida aberta às visitações.


