Opção para as propriedades leiteiras
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 28 de março de 2001
Carolina Avansini De Londrina 
Novidades na área agrícola e pecuária disputam espaço no estande do
Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) durante da 41ª Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina. Entre as pesquisas selecionadas, destaque para o vitelo tropical, que visa solucionar o problema enfrentado pelos produtores de leite quando há nascimento de machos na propriedade.
A programação também contempla a pecuária de corte e a agricultura, representada através das orientações sobre o zoneamento climático do café no Paraná. Temas polêmicos, como as plantas transgênicas, e a divulgação de informações pela Universidade do Campo e a Rede de Propriedades de Referência estão entre as atrações que o Iapar leva ao parque Ney Braga.
Vitelo Tropical Ao invés de descartarem o macho leiteiro logo após o nascimento, os produtores de leite podem aproveitar o animal para a produção de uma carne com grife, recomenda o Iapar. Abatido muito jovem, o vitelo tropical tem carne macia, saborosa e com baixo nível de colesterol,
configurando-se como opção de renda para as propriedades leiteiras.
Os pesquisadores Humberto Codagnome e José Antônio Lançanova desenvolveram e testaram a tecnologia para produção da carne nessas circunstâncias, privilegiando o baixo custo para o produtor. O segredo, informam, é fornecer uma dieta sólida baseada em grãos e feno.
Lançanova explicou que o vitelo tradicional é um bovino jovem abatido com cerca de 140 a 160 kg de peso e alimentado com uma dieta predominantemente líquida, de alto custo. Já o vitelo tropical é um animal pesado, abatido com 170 a 220 kg de peso e que recebe uma dieta predominantemente sólida, com custo menor de produção.
Etapas produtivas Do nascimento, com aproximadamente 40 kg de peso, até 5 ou 8 semanas, o vitelo recebe leite ou sucedâneo e água. Posteriormente, passa ao confinamento até completar a idade mínima de 20 semanas, recebendo milho integral moído, suplemento e feno para atingir o peso ideal de mercado, entre 170 a 220 kg. As dietas mais adequadas foram na proporção de 70% de grãos e 30% de feno, mais suplementação.
Em relação às raças, a pesquisa demonstrou que o vitelo holandês apresentou ganho de peso diário entre 1 a 1,3 kg/dia, para um consumo de 8 a 10 kg/dia e conversão alimentar de 6 a 7 alimento/kg. Observou também crescimento mais rápido que as raças de corte quando comparado na base de peso vivo, além da qualidade de carne igual às das demais raças de corte avaliadas, como Simental x Angus.
Com relação ao rendimento de carcaça, Lançanova analisou que o holandês apresenta ganho similar às raças de corte, mas com menor eficiência, embora na maturidade, tenha peso e porte maior. A principal vantagem da raça está na performance uniforme, ele acrescentou, em virtude da sua base genética, bem como consumo mais previsível, facilitando o manejo nutricional.
Lavoura x Pecuária Na exposição, o Iapar vai mostrar também a silagem de grãos úmidos de aveia como opção economicamente viável para recuperação de pastagens degradadas. O produto é adequado para o inverno e, segundo o Iapar, proporciona o retorno da qualidade ao pasto em três ou quatro anos. O Instituto recomenda plantar soja ou milho no verão para potencializar os resultados.
A colheita dos grãos de aveia para ensilagem deve ser feita 30 dias antes da maturação, quando o grão apresenta umidade ao redor de 30%. A aveia deve ser ensilada no menor tempo possível, para melhor conservação do produto final e maior aceitação pelos animais.
Ainda na área de pecuária, o Iapar divulga a raça purunã de gado de corte, recomendando os animais como raça exclusiva no Paraná e Brasil Central ou para cruzamentos com vacas nelore ou aneloradas em qualquer região do País. Na feira, estarão informando sobre a formação de um núcleo de criadores. Também reforçarão aos pecuaristas interessados que o órgão facilita a aquisição de touros e semên, além de oferecer acompanhamento genealógico e de desempenho.
Cafeicultura Com o objetivo de reduzir os riscos e perdas do café por fatores climáticos, o Iapar desenvolve pesquisas de zoneamento cafeeiro, divulgando os principais cuidados que os produtores devem ter para evitar geadas, nas diversas regiões do Paraná. Anualmente, o órgão mantém um serviço de alerta que orienta os cafeicultores sobre a ocorrência de intempéries com 48 a 24 horas de antecedência, divulgando também as medidas necessárias para prevenção.


