OPAS propõe erradicação do sarampo
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terça-feira, 17 de novembro de 1998
Edna Mendes 
Técnicos e especialistas da área médica dos países que integram o Cone Sul - Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile e Bolívia - estão reunidos desde ontem, em Foz do Iguaçu, discutindo estratégias para a erradicação do sarampo até o ano 2000. A reunião, que termina hoje, está sendo promovida pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), ligada à Organização Mundial de Saúde (OMS). O resultado da reunião será apresentado quinta-feira, em Brasília, durante encontro entre ministros de saúde dos seis países.
O secretário estadual de Saúde, Armando Raggio, que estava sendo aguardado para a reunião, não compareceu. Ele está sendo representado pela médica Márcia Gil Aldenucci.
Entre os países que integram o Cone Sul, o Brasil e a Argentina apresentam maior incidência de sarampo e preocupam as autoridades sanitárias. Na Argentina, um surto da doença já atinge cerca de 6.700 pessoas. No Brasil, até o início do mês, os registros oficiais apontavam 1.882 casos. Com a intenção de evitar a disseminação da doença nas cidades brasileiras que ficam na fronteira com a Argentina, o Ministério de Saúde do Brasil emprestou 700 mil doses de vacina contra o sarampo para aquele país.
Entre as estratégias discutidas pelos participantes da reunião estão a vacinação em massa de crianças com até um ano de idade, vacinação específica para adultos com idade entre 22 e 29 anos que não tomaram a vacina quando eram crianças e a realização de campanhas de vacinação a cada três anos.
De acordo com o médico Bernardus Ganter, do Programa Especial para Vacinas e Imunizações da OPAS, se as estratégias a ser apresentadas aos ministros forem colocadas em prática em curto prazo, o sarampo pode ser erradicado no Cone Sul em menos de dois anos. Com as ações que estamos propondo é possível eliminarmos a doença do Cone Sul até o ano 2000. Depois, vamos tentar implantar as mesmas ações nos outros continentes para evitarmos a importação da doença, explicou.
Ganter também ressaltou que, por ser crítica a situação do sarampo no Brasil e Argentina, existe a necessidade da implantação de um programa emergencial. Temos urgência de que os govermos implementem um programa especial de combate ao sarampo para que a situação não se agrave ainda mais, alertou.
Apesar de Foz do Iguaçu estar situada numa região de fronteira, o sarampo está sob controle no município graças à vacinação de bloqueio realizada no ano passado. No Paraná, o setor mais preocupante é o de Curitiba e parte da região metroplitana onde, somente em 98, foram registrados 792 casos da doença, inclusive com uma morte de adulto. Em 1997, 46 pessoas morreram por causa do sarampo no Brasil.
A coordenadora do Programa de Imunização no Paraná, a médica Márcia Gil Aldenucci, disse que a situação é grave em nove municípios próximos a Curitiba devido à migração. Muita gente foi morar na região e acabou levando a doença. Atualmente, estamos fazendo uma grande vacinação, disse.


