Onze pessoas fizeram as provas ontem no Hospital de Clínicas (HC). Uma candidata, internada na noite de terça-feira, estava ontem na UTI e não pôde participar do segundo dia do vesstibular. O diretor médico do HC e coordenador do atendimento aos vestibulandos, Niazy Ramos Filho, disse que a jovem deu entrada no hospital por causa de uma anemia severa e seu estado é grave.
Entre os candidatos que estão fazendo vestibular, apenas três estão realmente internados no HC. O restante vem de casa todos os dias para fazer as provas.
São pessoas doentes ou que passaram por cirurgia e podem usar o serviço especial para não perder o concurso. Neste ano, há também pessoas com doenças infecto-contagiosas, trauma no pé, lesão de pele e distúrbio de plaqueta.
Do primeiro para o segundo dia de provas, o número de candidatos no HC aumentou. Na terça-feira, eram apenas nove. Na manhã de ontem, por exemplo, o hospital recebeu uma vestibulanda de última hora. Danielle da Silva, 17 anos, que está fazendo vestibular para Ciências Contábeis, chegou ao pronto atendimento às 6 horas.
Danielle estava com infecção renal. Desde domingo vinha sentido dores. Na terça-feira, teve que tomar vários remédios para fazer as primeiras provas. Ontem, não aguentou e foi ao hospital. ‘‘Estava com pena. Achei que ela ia perder o vestibular’’, disse a mãe Edite Assis da Silva, 48 anos. Ramos Filho afirmou que isso não significa que Danielle faça os outros dias de prova no HC.
Fabia Hirano, 17 anos, passou por uma cirurgia de apêndice na madrugada do primeiro dia de vestibular. ‘‘Foi melhor assim. Se eu ficasse mal no dia da prova, teria de sair e não poderia mais continuar o exame’’, disse Fabia. ‘‘Aqui também é bom porque não tem muita tensão.’’ Para a mãe, Terezinha Hirano, 55 anos, não é tão fácil. Na hora das provas, ela tem de sair do quarto e não consegue ficar despreocupada.
Vanessa Ipaves, 22 anos, estava num hospital de São José dos Pinhais, mas teve de ser transferida para o HC por causa do vestibular. Ela está tentando uma vaga no curso de Enfermagem.
Vanessa está com um problema neurológico, ainda não diagnosticado. Ela tem confiança de que vai passar, mas diz que fazer vestibular nessas condições é desgastante. ‘‘Fico mais tensa, e começo a ter dor de cabeça e tontura.’’ Vanessa também acha ruim por ter ficado os últimos 15 dias sem estudar. Depois que faz as provas, não pode nem pensar em dar uma olhada nos resumos das matérias. Os médicos não permitem por causa de seu estado.
Atendimentos - O coordenador das bancas especiais do Vestibular da UFPR, José Roberto Cavazzani, informou que 250 candidatos já foram atendidos nos postos médicos dos locais de prova. Estes atendimentos correspondem ao primeiro dia do concurso vestibular e segundo Cavazzani, 80% deles foram causados por stress. ‘‘Quedas e altas de pressão, vômitos e gastrite causada por distúrbios nervosos lideram as estatísticas’’, disse.
O coordenador informou que a tendência para os próximos dias é que o número de casos diminua. A expectativa é que nos quatro dias do vestibular aconteçam mil atendimentos no total, a uma média de 200 ao dia.

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