ONU vê Vila Rural como projeto modelo
O Bird (Banco Mundial) já acenou ao Governo do Paraná que está disposto a continuar financiando o Programa de Vilas Rurais. Segundo a Secretaria Especial da Política Habitacional do Paraná, a decisão do Bird é consequência dos excelentes resultados do programa, uma iniciativa inédita no País, e que está sendo apresentada a todo o mundo pela ONU (Organização das Nações Unidas) como modelo de fixação do homem no campo.
Hoje, o governador Jaime Lerner assina a autorização para início da vila número 350, num encontro em Campo Mourão que vai reunir pelo menos 30 mil moradores e futuros moradores de vilas rurais (leia texto nesta página). Com a autorização, o governador cumpre a meta de implantar 350 vilas no seu governo.
As vilas rurais são grandes extensões de terra loteadas em pequenos sítios de meio hectare (cinco mil metros quadrados) cada um e que beneficiam um segmento até então com nenhuma inserção em programas de governo: os bóias-frias. Em cada lote, o Governo constrói uma casa modular de 44,5 metros quadrados, que pode depois ser ampliada. Cada vila recebe em média 50 famílias de bóias-frias.
O Governo do Paraná, em parceria com os municípios, já investiu R$ 204 milhões no programa, metade financiada pelo Bird. Em curso desde 1995, as 350 vilas estão em 270 municípios paranaenses, ou 65% deles. São 17 mil famílias beneficiadas, um contingente de 80 mil pessoas.
Os principais objetivos do programa são criar um chão para o bóia-fria e sua família - um segmento da população que não tem raiz -, assegurar moradia e trabalho pleno, prevenir a evasão rural com dignidade e garantir o fim do inchaço das nossas médias e grandes cidades, diz um documento sobre o programa da Secretaria de Habitação.
Além da casa, o Governo leva infra-estrutura, como rede de esgoto e água, mais energia elétrica, telefone público e ruas. Cada lote é então entregue a uma família de bóias-frias, que troca a submoradia em que a maioria vive na periferia das grandes cidades por um pequeno sítio na zona rural.
O programa das Vilas Rurais dá atenção a um segmento marginalizado da sociedade, sempre esquecido pelas políticas sociais. No Paraná, provavelmente pela primeira vez no Brasil, está se dando uma resposta efetiva para garantir dignidade à vida dessa gente sofrida, diz Valter Pegorer, coordenador social do programa.
Mesmo guardando algumas diferenças fundamentais em relação à política de reforma agrária do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), ainda assim a comparação dos números dos dois programas é reveladora da dimensão do projeto das Vilas Rurais.
Dados oficiais apontam que nos últimos 17 anos o Incra assentou no Paraná 12.148 famílias, aí incluída a meta de cinco mil famílias para este ano. Já as 80 mil pessoas beneficiadas pelo programa das vilas rurais somam 17 mil famílias. Ou seja, em apenas quatro anos o Governo Jaime Lerner vai ter fixado no campo quase cinco mil famílias a mais do que o Incra assentou em 17 anos. Na média anual, enquanto o Incra assentou 714 famílias por ano no Paraná, as vilas rurais receberam 4.250 famílias.DivulgaçãoAvanço no campoVila Rural Nova Ukrânia, em Apucarana: parabólicas integram paisagem. Projeto do governo para fixar o homem no campo abre caminhos para novas conquistasDa Redação





