PERMANÊNCIA LIMITADA
Ontem 38 cães estavam abrigados no canil mantido pela prefeitura
Lenira Terra
Sid Sauer
De Campo Mourão
Desde que começou a funcionar em Campo Mourão, há um ano, a carrocinha já foi a responsável pela morte de 114 cachorros, dos 428 apreendidos. Outros 104 foram enviados para pesquisa em universidades, 160 adotados e apenas 50 foram retirados pelos proprietários. Os números estão em relatórios mensais que a prefeitura de Campo Mourão repassa ao promotor do meio ambiente, Guilherme de Albuquerque Maranhão Sobrinho.
A responsável pelo programa, a veterinária Márcia Maria Stangler Bezerra, disse ontem à Folha que a prefeitura tem ‘‘evitado ao máximo’’ o sacrifício dos animais. ‘‘Quando o canil enche, diminuímos a captura pelas ruas’’, explica Márcia. Segundo ela, porém, o número de reclamações da população é grande. Ontem, 38 cães, incluindo três filhotes que nasceram no local, estavam no canil. Os animais são sacrificados através de injeções.
Márcia disse que a procura pelo cadastramento de cães praticamente não existe. ‘‘O cadastro vem sendo feito basicamente no próprio canil, nos animais que são retirados pelos proprietários ou doados’’, diz a veterinária. Quando o programa foi iniciado pela primeira vez, em 1997, foi grande a procura pelo ‘‘emplacamento’’ dos cães. Segundo Márcia, a possibilidade de um recadastramento está em estudos.
A criação da carrocinha foi polêmica em Campo Mourão em 1997. O início dos trabalhos chegou a resultar numa representação criminal contra o então secretário de Agricultura e Meio Ambiente, o vice-prefeito Márcio Nunes, por maus-tratos aos animais. Somente no final do mês passado o promotor Guilherme Maranhão Sobrinho pediu o arquivamento do processo. ‘‘A carrocinha agora está funcionando de acordo com as normas’’, explicou.
A veterinária reclama que a maior parte dos donos de cachorros não exerce a ‘‘posse responsável’’ dos animais. ‘‘As pessoas pegam os cães e esquecem que estão lidando com um ser vivo’’, ressalta. Segundo ela, faltam os cuidados necessários e, para piorar, quando o animal apresenta problemas, é abandonado. ‘‘Muitas vezes é o próprio proprietário quem chama a carrocinha para fazer a apreensão do animal.’’

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