Simone GirotoDemanda supridaVeículo percorre os 25 municípios da região de Campo Mourão e é responsável por 40% do material coletadoUm ônibus doado há um ano pelo Rotary Club Campo Mourão está ajudando o banco de sangue da cidade a manter material de sobra no estoque e até a fornecer sangue para centros maiores, como Maringá e Cascavel. De acordo com dados do órgão, desde que o ônibus começou a percorrer os 25 municípios da região fazendo coletas externas não faltou mais sangue para atender aos pedidos dos hospitais.
O ônibus é equipado com três poltronas para coleta, uma geladeira para guardar o sangue coletado, um microconsultório médico e até uma sala para que os doadores façam lanche após a doação. ‘‘O veículo chega na cidade pronto para a coleta’’, comemora a chefe do hemocentro de Campo Mourão, Maria Luzia Salvador. O veículo é o único que faz esse tipo de serviço e pertence à saúde pública em todo o Estado. Um luxo que nem o Hemepar, em Curitiba, tem.
Segundo Luzia, das 5 mil bolsas de sangue coletadas durante o ano passado, 2 mil foram conseguidas através do ônibus, em 46 coletas. Em média, o veículo percorre seis vezes por mês os municípios da região em busca de sangue. As viagens são programadas e, em geral, cada município é visitado a cada dois meses. Em Ubiratã (96 km a sudoeste de Campo Mourão), onde há um grupo de doadores mais ativos, as visitas são mensais.
O trabalho conta com a ajuda das secretarias municipais de saúde. No ano passado, a Regional de Saúde treinou médicos de toda a região para fazer o acompanhamento das coletas. Eles são acompanhados por uma equipe de cinco pessoas do próprio banco de sangue. Num único dia de serviço, o ônibus chega a coletar 60 bolsas de sangue. ‘‘É bem mais do que colhemos na sede do hemocentro’’, ressalta Luzia.
Cultura A chefe do banco de sangue também comemora o fato do veículo estar mudando a cultura de doação na região. ‘‘No começo, nós é que tínhamos que procurar os município para as doações. Agora são os municípios que nos procuraram’’. O resultado foi a sobra de sangue. Nos últimos 12 meses não há registro de coletas de sangue inferiores à procura do material. Em novembro, por exemplo, foram coletadas 701 bolsas e usadas 572.
Antes do ônibus, o hemocentro chegava a realizar coletas externas, mas elas eram dificultadas pela falta de estrutura. Todo o material, incluindo as cadeiras especiais, tinha que ser carregado em uma Kombi. ‘‘Faltava espaço’’, conta Luzia. Além disso, havia sempre a dependência de uma sala. Agora, não é preciso sala nem para o preenchimento das fichas dos doadores, que é feito sob um toldo adaptado à lateral do ônibus.

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