Ônibus utilizam combustível ecológico
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terça-feira, 19 de dezembro de 2000
Maigue Gueths De Curitiba 
Reduzir em até 43% o índice de fumaça negra emitida pelos ônibus, desenvolver a agroindústria aumentando a produção de cana-de-açucar e soja, além de reduzir a dependência do País da importação de petróleo são algumas das vantagens de um novo combustível, que está sendo utilizado em Curitiba desde ontem. Trata-se do diesel aditivado, uma mistura de óleo diesel, álcool anidro e aditivo feito à base de soja, que já está sendo chamado de combustível ecológico AEP-102. Desde ontem, trinta ônibus da Viação Nossa Senhora da Luz, que cobre os bairros da região norte da Capital, estão circulando com o novo produto.
A única desvantagem é o preço, em 5% superior ao do diesel puro, já que o álcool e os derivados do óleo de soja têm custo superior. O consultor técnico da Associação dos Produores de Açucar e Álcool do Paraná (Alcoopar), Edilson Bernardin Andrade, entretanto, garante que este valor não será repassado para os empresários do transporte nem para os usuários. Os produtores vão arcar com um subsídio no produto e também já há projetos do Ministério das Ciências e Tecnologia propondo aos estados que aprovem leis reduzindo a alíquota do ICMS para o produto, explica.
Segundo Paulo Zanetti, diretor da Alcoopar, em todo mundo estuda-se alternativas que reduzam o uso do óleo diesel, um dos maiores poluidores urbanos. Ele é responsável por 80% da poluição nos corredores de transporte e por 60% da poluição de toda São Paulo, diz. Testado em Curitiba entre 1997 e 1999, o combustível ecológico conseguiu reduzir em até 43% a fumaça emitida pelos ônibus. Para ele, o Paraná terá ainda outra vantagem com o produto, uma vez que o estado responde pela segunda maior produção de cana e soja do País. Se toda a frota brasileira vier a usar esse combustível, a área de cana plantada pode aumentar até 30% e de soja mais 5 a 8%, diz.
O novo combustível é resultado de 15 anos de pesquisa do cientista Alfredo Rafael Campi. É importante conseguirmos uma alternativa de tecnologia brasileira, já que o País depende da importação diária de 15 milhões de litros de diesel, ressaltou o cientista. Por enquanto, a única indústria a fabricar o produto é a Ecomat - Ecológica Mato Grosso, com sede em Cuiabá. A empresa produz 1,2 mil barris de aditivo por mês, distribuídos inicialmente no Paraná. Em Curitiba, a pricípio será usado apenas na empresa Viação Nossa Senhora da Luz. Para isso, a Petrobras está disponibilizando o tanque especial, bomba específica e caixa de contenção para abastecimento. Os veículos, por sua vez, não necesitam de qualquer adaptação para que o novo combustível seja usado.
Curitiba tem uma frota total de 2,6 mil ônibus na Rede Integrada de Transportes. O uso do diesel aditivado em toda frota equivaleria à retirada de 80 ônibus das ruas de Curitiba. A expectativa, segundo o presidente da Companhia de Urbanização de Curitiba (Urbs), Fric Kerin, é adaptar as empresas de modo a atinjir toda a frota até metade do próximo ano. O AEP-102 também será levado a outros estados, como Mato Gosso do Sul, Mato Grosso e Distrito Federal.


