Ônibus testam novos combustíveis
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 30 de junho de 1997
Guilherme Pupo 
Curitiba
Biodiesel, álcool anidro e gás natural. Essas e outras alternativas de combustível poderão, a longo prazo, substituir o óleo diesel na frota de ônibus de Curitiba. O principal benefício da utilização de novos combustíveis é a redução na emissão de poluentes. A mudança envolve adaptação dos motores e estudos de viabilidade econômica.
Por enquanto, os produtos estão sendo testados pela Urbs em pequena escala na frota urbana. Dois veículos da linha Volta ao Mundo, que transporta turistas a vários parques da cidade, estão sendo abastecidos com álcool aditivado. Ainda este mês, o produto deve ser substituído pelo álcool anidro, considerado menos poluente.
Um ônibus importado pela Scania do Brasil da matriz sueca e equipado com motor movido a álcool aditivado também deve ser testado em Curitiba nos próximos dias. O custo da produção de um ônibus a álcool é 10% superior ao dos veículos a diesel.
Em agosto, 20 ônibus que circulam pela Região Metropolitana de Curitiba devem experimentar o biodiesel, combustível desenvolvido nos Estados Unidos capaz de reduzir em até 80% a emissão de poluentes. O produto é uma mistura que conta com 80% de óleo diesel e 20% de óleo de soja, e dispensa adaptações nos motores dos ônibus e caminhões.
Sobre a possibilidade de adotar ônibus elétricos na cidade (alternativa estudada há alguns anos), a Urbs informa que não é prioridade no momento, e que os custos seriam muito altos.
Gás naturalA utilização do gás natural depende da chegada do gasoduto Brasil-Bolívia ao Paraná. A Petrobrás, responsável pela importação e transporte do produto, prevê que o gás vai estar disponível a partir de dezembro de 1999.
O uso de gás natural nos ônibus urbanos já está até previsto na Lei Municipal 9.078, aprovada no último dia 5 de junho. De acordo com a lei, as empresas concessionárias ou permissionárias de transporte coletivo em Curitiba deverão substituir os motores de 10% do total da frota por ano. Assim, a renovação completa dos veículos deve ocorrer em dez anos após a chegada do gás natural no Paraná.
Segundo o diretor-presidente da Compagás (responsável pela distribuição de gás no Estado), Luis Roberto Bruel, o gás natural reduz a emissão de enxofre e monóxido de carbono a praticamente zero, além de diminuir o volume de particulados (fuligem).


