Passar por determinadas regiões da cidade e parar em alguns semáforos está se tornando um pesadelo para motoristas e cobradores de ônibus que trabalham em linhas urbanas e intermunicipais. Carros apedrejados, assaltos e ameaças fazem parte da rotina destes trabalhadores. No último domingo, passageiros que seguiam de Londrina para Cambé no início da madrugada disseram se sentir em um campo de guerra quando o ônibus da TIL Transportes Coletivos virou alvo de um grupo de rapazes munidos de pedras, ao passar pela Avenida Tiradentes, em frente ao Parque Ney Braga (Zona Oeste).
Na ação, estilhaços de vidro e pedras feriram dois passageiros. O casal foi atingido quando o vidro traseiro caiu em pedaços dentro do ônibus. Eles foram atendidos pelo Siate e encaminhados até a Santa Casa de Cambé. ''Vi seis janelas com os vidros quebrados. Parecia uma guerra aquele barulho de vidro, gente gritando'', recorda um porteiro que estava no ônibus e sofreu um ferimento leve em um dos braços, mas foi atendido e liberado no local.
De acordo com o porteiro, que usa a linha Londrina/Jardim Ana Rosa no mesmo horário há nove anos, eram 0h20 de domingo e o ônibus passava em frente ao Ney Braga quando um grupo de pelo menos sete homens - ''um tinha um pandeiro na mão'' - tentou bloquear a passagem com pedaços de pau e mato. Como o motorista não deu sinais de que iria parar, o mesmo grupo começou a apedrejar o veículo. O motorista seguiu viagem e só parou bem mais à frente, já na entrada de Cambé, onde acionou o Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar.
A TIL confirmou o apedrejamento mas informou que apenas o vidro traseiro teria sido quebrado, segundo o boletim de ocorrência registrado na Polícia. A empresa não deu informações sobre outros incidentes registrados no mesmo trecho, mas o porteiro garante que em dezembro presenciou um assalto contra o cobrador praticado no mesmo horário e no mesmo local. ''É um trecho muito complicado, até para quem está de carro. Eu fico muito preocupado. A gente sai do trabalho sem saber se vai chegar em casa vivo, por causa dessa malandragem de hoje em dia'', confidencia.
O gerente de tráfego da Francovig, Milton Félix, revela que a empresa estuda alternativas para amenizar o problema enfrentado na linha 210 - Jardim União da Vitória (Zona Sul). No final do mês passado a FOLHA mostrou o pesadelo enfrentado diariamente pelos usuários da linha nos horários de entrada e saída de aula. Quando o coletivo se aproxima do bairro é tomado de assalto por crianças e adolescentes que impõem medo aos passageiros. Eles se dependuram nas portas forçando a entrada no ônibus, agridem verbalmente os passageiros, fazem com que saiam dos seus lugares e apedrejam o veículo quando o motorista se recusa a abrir a porta.
Segundo Félix, são quebrados de 15 a 20 vidros por mês. ''O problema se intensificou de outubro para cá, e parece que não vai acabar tão cedo. Faz parte da cultura do bairro.'' A empresa opera com 22 linhas na Zona Sul e a 210 é a única que sofre com este tipo de vandalismo. ''Estamos desenvolvendo um trabalho em parceria com a Polícia Militar, Associação de Bairro e escolas, mas sabemos que não teremos resultados a curto prazo. É um trabalho de formiguinha'', afirma o gerente.
Entre as alternativas estudadas pela Francovig estão a diminuição do número de ônibus em determinados horários, alterações no itinerário e colocação de carros mais velhos (que oferecem maior facilidade na reposição de peças) e menores na linha. ''Mas isto tudo geraria superlotação, penalizando toda a população'', argumenta Félix.
A reportagem entrou em contato com a Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL), mas as ligações não foram retornadas até o fechamento desta edição. (Colaborou Luciano Augusto)

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