Ônibus pode adotar álcool e diesel
Curitiba pode implantar definitivamente em 1999 o uso de uma mistura de álcool e diesel no transporte coletivo para diminuir a poluição da cidade. Desde dezembro do ano passado vêm sendo feitas experiências com combustíveis alternativos. O teste com álcool e diesel deverá estar concluído daqui a dois meses, quando está prevista uma reunião no Ministério da Ciência e Tecnologia para decidir quando será adotada em todo o País a adição de álcool ao diesel.
As novas tecnologias de produção e utilização dos combustíveis estão na pauta de discussões do Primeiro Congresso Internacional de Biocombustíveis Líquidos, que começou ontem no Hotel Rayon, em Curitiba. O encontro vai até quarta-feira.
Antes do álcool misturado ao diesel - avaliado de dezembro a março -, outro combustível foi testado: o biodiesel (20% de éster de óleo de soja e 80% de diesel). Os Estados Unidos forneceram 37 mil litros de éster para a experiência porque o Brasil ainda não produz a substância. O biodiesel também deve ser usado como alternativa quando o País definir sua política de produção.
O Paraná terá papel importante nessa política, já que é o maior produtor brasileiro de soja. A primeira fábrica do Estado será instalada em Maringá (Norte) e começará a funcionar em novembro deste ano. A Paraná Ecológico produzirá cerca de 300 mil litros/mês de biodiesel, segundo o diretor executivo da Associação dos Produtores de Álcool e Açúcar do Paraná (Alcopar), Paulo Zanetti. Segundo ele, se o aditivo for usado em grande escala, 150 mil novos empregos poderão ser gerados no Brasil em curto prazo.
Para o gerente de serviços tecnológicos do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), Celso Romero Kloss, o uso da soja como combustível alternativo, além de oferecer mais empregos, aumentaria a área de plantio e o grau de industrialização no Estado. Hoje, o preço do petróleo não favorece o uso de combustíveis alternativos. Para isso, são necessários incentivos fiscais, disse. Estados Unidos e Japão já usam os chamados combustíveis verdes (de origem vegetal).
Segundo o coordenador do Tecpar, o engenheiro mecânico José Carlos Laurindo, o biodiesel reduz a poluição em 30%, mas aumenta em 2% ao ano o consumo do veículo e faria a tarifa de ônibus ficar 1% mais cara. Pode ser que essa porcentagem seja zerada, a partir do momento em que possamos produzir o éster. Hoje, ele teria que ser importado.
O prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi, disse que sua equipe está estudando os custos da mudança de combustíveis para que a tarifa dos ônibus não seja alterada.
Buenos Aires (na Argentina) também está testando os combustíveis alternativos em parte da frota do transporte coletivo, desde o final do ano passado. O conselheiro agrícola da Embaixada da Argentina no Brasil, Miguel Santiago Campos, disse que a experiência do Brasil ajudará a Argentina. É importante que incorporemos novas tecnologias como estratégia de diminuição do efeito estufa.Cesar Brustolin/SMCSCongresso internacional está discutindo o uso e produção de combustíveis verdes, além de testes com produtosProdução de biodiesel,
combustível que também
deverá ser usado, será
de 300 mil litros/mês
Anna Camanducaia





