Quem é usuário regular do transporte coletivo urbano de Londrina já teve que sair da calçada e ir até a rua para poder subir no ônibus. A cena é tão comum que já é vista até com certa naturalidade por muitos passageiros. Porém, além do risco de acidentes, essa atitude traz grandes dificuldades para idosos e pessoas com problemas de locomoção.
Ao descer da calçada, a diferença entre o chão e o ônibus fica ainda maior. A falta de agilidade, consequência da idade mais avançada, faz com que o simples fato de entrar ou sair do ônibus gere um constrangimento grande para o usuário idoso, por dispender mais tempo, fato muitas vezes encarado com impaciência pelos motoristas e demais passageiros.
Todos os entrevistados pela reportagem da FOLHA concordam em um ponto: o problema é resultado principalmente da falta de respeito dos motoristas de veículos particulares, que estacionam dentro do espaço destinado à parada dos ônibus. ''O ônibus precisa de pelo menos 70 metros para poder estacionar com segurança, próximo ao meio-fio, mas nas ruas mais movimentadas do Centro ninguém respeita, sempre tem um carro parado onde não deve. E o motorista do ônibus é obrigado a parar no meio da rua'', afirmou Daniel Martins, diretor de Operações da Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL), acrescentando que é grande o número de queixas dos motoristas em relação a veículos estacionados nas áreas reservadas à parada de ônibus.
''Quando o ônibus pára longe do meio-fio, o degrau de entrada fica mais alto, porque a pessoa é obrigada a descer do nível da calçada'', afirma Wilson Santos de Jesus, diretor de Transportes da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU). A comerciante aposentada Ondina Marques concorda, acrescentando que, longe do meio-fio, qualquer pessoa mais desatenta corre o risco de tropeçar ao subir ou descer do coletivo. ''O ônibus tinha que parar mais perto, acho que se fizesse isso seria até melhor para o motorista, porque a pessoa subiria mais rápido'', opina.
Já o cadeirante Marcelo Londero encontra ainda mais dificuldades.''Eu ando na rua, porque, além de o ônibus parar longe, as calçadas são cheias de buracos. Mesmo no terminal tenho dificuldades, porque, apesar de haver declive, este é muito acentuado'', reclama.
Segundo um motorista do transporte coletivo que não quis se identificar, o problema é mais frequente no Centro da cidade. ''Se as pessoas respeitassem a área reservada para nós, melhorava bastante. Já nos bairros, o problema maior são as árvores, que precisam ser podadas'', acrescenta. ''Se o motorista não desvia da árvore, os galhos podem até danificar o veículo, que é alto'', justifica o diretor da TCGL.
Para ele, falta um pouco mais de educação no trânsito. ''As pessoas têm que ter consciência de que o transporte coletivo tem que ser priorizado. Um veículo transporta no máximo cinco pessoas. Já um ônibus tem uns 50 passageiros. Também é preciso realizar a poda das árvores. Essas duas medidas já minimizariam bastante esse tipo de problema.''

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