Ônibus no centro põem vidas em risco
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quarta-feira, 29 de novembro de 2000
Maranúbia Barbosa De Londrina 
Perigo real e imediato ronda as esquinas das ruas centrais de Londrina. Remanescentes da época da fundação da cidade, as ruas estreitas não comportam o fluxo de veículos, principalmente de ônibus coletivo e tornam a circulação arriscada para pedestres e motoristas.
Na esquina da Rua Sergipe com a Professor João Cândido, um dos pontos mais críticos da cidade, os ônibus chegam a subir no meio-fio, deixando as marcas de pneus na calçada.
No local não existe semáforo para pedestre. O vendedor de doces Carlos Almeida, 61 anos, trabalha há 13 anos naquela esquina e contou que já viu várias pessoas sendo atropeladas. Os ônibus não cabem nessas ruas e acabam invadindo as calçadas, relatou.
Agnaldo Alves da Silva, 30 anos, vendedor de cachorro-quente naquele ponto disse que no final da tarde o trânsito fica ainda mais caótico. Segundo Silva, a quantidade de pedestres também aumenta. A Rua João Cândido é caminho para o Terminal Urbano e por aqui passa muita gente.
Da porta de uma loja, na Rua Professor João Cândido, o vendedor Eduardo Soares Gomes, 19 anos, vê o perigo passar em frente. Segundo Gomes, quando não sobem na calçada, os ônibus tiram fina das motocicletas estacionadas na esquina.
O mototaxista Jair Francisco Rebouças, 38 anos, há dois anos trabalhando ali, confirmou. Passam rente. Rebouças comentou que muitas vezes os mototaxistas chegam a gritar para os pedestres, avisando sobre o perigo. As pessoas vão disputando lugar com os ônibus e se arriscam muito, alertou Rebouças.
A londrinense Mariana Gonçalves Ribeiro De Cunto, 64 anos, foi atropelada há um ano por um ônibus, na esquina da Rua Sergipe com a São Paulo. Fui derrubada na calçada e o motorista nem viu, relatou.
Mariana Gonçalves, que teve fratura nos pés, disse que teve vontade de ficar na esquina, com um cartaz nas mãos, protestando. Na opinião dela, os ônibus tinham que ser desviados do centro.
Para Milton Félix dos Santos, chefe de tráfego da Francovig, empresa de transportes coletivos, a solução definitiva é a construção de novos terminais urbanos.
Esse projeto já está sendo estudado por órgãos administrativos municipais, mas é solução para médio e longo prazo. Os custos elevados dificultam a execução imediata, analisou.
Conduzir ônibus nas ruas centrais, na avaliação do motorista Francisco Amaro Ferreira, também não é fácil. Para contornarmos as esquinas reduzimos a velocidade e os pedestres vão entrando na frente do ônibus. Todo cuidado ainda é pouco, explicou.
No início deste mês, representantes da Companhia de Trânsito, órgãos da administração municipal e comerciantes estiveram reunidos para discutir a situação do fluxo de veículos no centro da cidade.
Diariamente circulam pela Rua Sergipe 137 ônibus, em 17 linhas, perfazendo um total de 1.623 viagens. Existem 167 mil veículos cadastrados na cidade.


