A partir de hoje os usuários do transporte coletivo de Londrina não poderão mais usar os vale-transportes e passes escolares de papel. Ontem, último dia da sua validade, poucas pessoas procuraram as lojas de passes para fazer trocas por créditos do bilhete eletrônico. Até o final da manhã, das cerca de 300 pessoas que passaram pela catraca do Terminal Urbano, apenas sete haviam usado os papéis.
De acordo com o gerente administrativo da Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL), José Carlos de Lima, a empresa não conhece a quantidade de pessoas que ainda precisam fazer o cartão-transporte, mas ele acredita que este número seja pequeno, já que diariamente circulam cerca de mil passes pelo sistema, o que representa apenas 0,67% do total de passagens. A estimativa é referendada, mesmo que de maneira informal, pelos vendedores de passe que ficam nas imediações do Terminal Urbano. ''Já tem pouca gente sem cartão e quem não quer fazer um, usa os cartões pré-pagos'', garante uma comerciante que não quis se identificar.
Antes da implementação da catraca eletrônica, em fevereiro de 2004, a Grande Londrina comercializava três milhões de passes por mês. Em agosto de 2005, eles deixaram de ser vendidos, mas ainda eram aceitos. A estudante Gisele de Oliveira Fonseca diz que já se acostumou ao sistema eletrônico. ''É melhor, porque a gente recarrega de uma vez e não precisa ficar perdendo tempo comprando passe'', argumenta.
Já a dona-de-casa Almerinda Plinia, 76 anos, diz que ainda não se adaptou ao cartão. Ela utiliza o transporte diariamente para fazer compras, visitar familiares e amigos e ir à igreja. ''Pode ser até mais prático para carregar, mas é ruim por causa da fila que forma dentro do ônibus'', defende.
Preferências à parte, os passes usados também como moeda cederam de vez o espaço para os cartões e com isso perdem os vendedores ambulantes que trabalham dentro e fora do terminal e aceitavam os papéis como pagamento. De 100 passes que arrecadava por dia, antes da bilhetagem eletrônica , Higina Matilda dos Santos diz que agora a opção de pagar os lanches com a ''moeda'' se encerrou. ''Desde quando começou o cartão já foi diminuindo, mas agora acabou de vez, porque a gente não vai ter como repassar esses passes'', diz. Já para Izabel de Souza, que vende doces dentro do terminal há três anos, o fim da passagem de papel já tinha sido decretado há alguns meses. ''Quando pegava muito, pegava cinco passes por dia. Agora não tem mais jeito.''
O prazo para trocar o passe de papel por crédito do bilhete eletrônico é indeterminado. A troca deve ser feita no Terminal Central, na Loja de Passes da Rua Quintino Bocaiúva, nas três unidades do Super Muffato, nas lojas Pernambucanas do Calçadão e, a partir da próxima segunda-feira, no Almeida Mercados do Shopping Com-Tour. O cartão pode ser adquirido gratuitamente nestes mesmos locais. Quem depende do passe livre ou o passe especial, concedidos a entidades sociais do município, poderá continuar utilizando as passagens tradicionais.

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