Ônibus já circulam sem cobradores
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domingo, 20 de agosto de 2006
Guilherme Borges<br>Reportagem Local 
Motoristas e usuários entrevistados pela Folha desaprovaram a decisão das empresas que administram o transporte coletivo em Londrina - Transportes Coletivos Grandes Londrina (TCGL) e Francovig -, referendada pela última assembléia da categoria, de tirar os cobradores dos ônibus depois das 19 horas de segunda-feria a sábado e durante todo o domingo. A medida está valendo desde a última semana.
Ontem, apesar de não haver filas nos coletivos, passageiros reclamavam a ausência do auxiliar do motorista. ''Eu entrei no ônibus e nem percebi. Quando cheguei na roleta, o pessoal começou a rir de mim. Aí, voltei e fui pagar para o motorista. Não acho certo não, porque o ônibus ficou parado esse tempo todo'', protestou a dona-de-casa, Vera Lúcia Garcia, 38 anos.
Ela ainda reclamou da obrigatoriedade do uso de cartão-transporte. ''Eu acho um absurdo. E quem não quer ter o cartão? O motorista vai ficar contando dinheiro e todo mundo esperando?''. O estudante Denis Evangelista, de 17 anos, também aguardava o ônibus e afirmou: ''A R$ 2,00 a passagem, com certeza, dá para pagar cobrador. Mas o objetivo das empresas é ganhar mais e dispensar os trabalhadores. Pode até ser bom para ela, mas não é para eles''.
Ele contou que o transporte coletivo é seu único meio de locomoção. Ontem, mesmo sendo domingo, Evangelista ia para um curso. ''Fico pensando quando o motorista tiver que dar troco. Imagine a fila'', sugere. Um motorista, que não quis se identificar, propôs o mesmo: ''Imagine um motorista cuidando de três portas? Que segurança vamos ter?''.
Ele garantiu que não aceitou o nova regra e por isso foi colocado como reservista ontem. ''Alguém precisa fazer alguma coisa. Cadê o Partido dos Trabalhadores para defender os trabalhadores? Cadê os políticos? Tem que ter alguém para impedir que as empresas façam o que quiserem com esse país'', desabafou.
Outro motorista, que não se identificou, também discordou com a retirada dos cobradores. ''Os colegas estão conseguindo cumprir o horário. Mas justo, justo não é. O pior é que a gente acaba tendo que se adaptar, né?'', questionou desolado.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Londrina (Sinttrol), João Batista da Silva, analisou que a situação não é boa para os trabalhadores, mas destacou que a decisão foi tomada em assembléia. ''De fato é quase insignificante o número de usuários que não usam cartão, mas mesmo assim não dá para dizer que a retirada dos cobradores é normal. Agora eles estão tendo que se mexer'', afirmou.
Ele destacou que, nestes primeiros dias sem os auxiliares, os motoristas têm tido dificuldade em fechar os caixas dos ônibus. ''Como eles não têm experiência, demoram mais. Só que a empresa encerra o horário quando eles entregam o ônibus. Aí o motorista gasta mais meia hora finalizando a ficha de horário, só que sem receber. Nós vamos ter que conversar sobre isso'', assegurou.
A reportagem tentou contato com os gerentes das empresas e representantes do sindicato patronal, mas os telefones fixos não atendiam e os celulares estavam desligados ou fora da área de serviço.


