Ônibus fretado leva universitários de São Miguel do Iguaçu
A cena se repete todos os finais de tarde em uma rua do centro de São Miguel do Iguaçu (45 quilômetros a nordeste de Foz do Iguaçu). Estudantes universitários se acomodam em um ônibus fretado por eles mesmos, portando livros com títulos em espanhol e cadernos com anotações em português.
Depois de quarenta minutos de viagem, o veículo já está na fronteira, pronto para vencer o habitual congestionamento sobre a Ponte da Amizade. Vinte minutos depois, na região oeste de Ciudad del Este, os 23 passageiros descem em terra estrangeira, em frente a Uninorte, onde cursam o primeiro ano de Direito.
Alguns anos depois de iniciativas isoladas, nos quais poucos aventureiros enfrentavam 60 quilômetros de estrada em seus carros particulares, o interesse pelas faculdades paraguaias cresceu tanto na cidade, este ano, que obrigou os candidatos a universitários a se organizar e providenciar um ônibus para chegar diariamente ao Paraguai.
Agora, os estudantes reinvindicam junto à Secretaria Municipal de Educação um subsídio nos gastos com combustível e a cessão de um veículo por parte da prefeitura. Além dos alunos de Direito, seriam beneficiados 18 estudantes de Pedagogia e outros 20 de Educação Física, que viagem apenas semanalmente para o país vizinho.
José Albertino da Silva, ex-vereador em duas legislaturas, é o líder do grupo. Aos 50 anos, formado em Teologia na juventude e jornalista de profissão, Silva teve três insucessos consecutivos no vestibular da Unifoz, instituição privada de Foz do Iguaçu. O vestibular é uma vergonha, só serve para que os donos de faculdades lucrem mais, diz.
O jornalista afirma que, pelo menos no início, o curso está valendo a pena. A essência do Direito é a mesma em qualquer lugar, diz, se referindo a possível distorção de se estudar os códigos e leis paraguaias.
A funcionária pública Janice Lordani Henika, 47 anos, também frequenta as aulas de direito da Uninorte com ares de última chance. Sonhando ser juíza de Direito, Janice ingressou na universidade no mesmo ano que sua filha se formou em Psicologia. Não tive muitas oportunidades na vida, agora tenho que aproveitar, conta.
A estudante lembra que teve a idéia de voltar a uma sala de aula depois que foi procurada por muitas pessoas para se informar, na Secretaria Municipal de Educação, onde trabalha, sobre a possibilidade de ser oferecido transporte gratuito até o Paraguai.
Eu pensei: por que não eu?, lembra Janice. Após tomar conhecimento do valor da mensalidade, não teve dúvidas. Nem precisei me preparar, quando percebi, já estava matriculada. (L.F.M.)





