Ninguém mais dorme nas ruas José Valério de Souza Irmão e Brasil Filho, no Jardim San Fernando, na Zona Sul de Londrina. O barulho dos ônibus que passam a cada 15 minutos e dos caminhões de lixo que cortam caminho para o aterro sanitário do Limoeiro tem feito as casas tremerem e os moradores reclamarem de raiva.
O asfalto cedido pelas mais de 200 viagens feitas pelos caminhões de lixo todo dia compromete ainda a ida das crianças para a escola, já que os filhos de moradores utilizam as ruas como via de acesso ao colégio do bairro. ''Não tem calçada e até para andar de bicicleta as crianças vão em companhia dos pais porque o ônibus passa na maior velocidade'', enfatizou a psicóloga Maristela de Mello Kosinski, que reside na região há apenas um ano, mas até já pensou em vender o imóvel que construiu com o resultado de anos de trabalho.
''Morava na Avenida Inglaterra e apesar de ser uma avenida, coseguia dormir. Aqui, não se dorme depois das 5h30 da madrugada'', confessou Maristela.
Segundo ela, não é só o asfalto e as casas que sentem os efeitos da trepidação. ''O corpo todo treme. Quem diz que não tem terremoto em Londrina é porque não conhece o Jardim San Fernando'', brincou a moradora.
A dona-de-casa Rita de Cássia Souza Westphalen mora na Rua Brasil Filho há quatro anos e convive diariamente com o barulho dos passageiros que pegam ônibus no ponto localizado em frente à casa dela. ''É inconveniente, a gente nunca sabe se quem está parado ali vai mesmo usar o ônibus e os motoristas entram com tudo na rua. É um perigo para as crianças.''
''Já procuramos todo mundo, desde a CMTU até a Grande Londrina e a Secretaria de Obras mas parece que o assunto não é prioridade'', ressaltou Maristela Kosinski.
Maristela também procurou a Universidade Estadual de Londrina em busca de algum equipamento para medir o abalo do tráfego no bairro, mas descobriu que em Londrina não há nenhuma tecnologia deste tipo. ''Imagina todo mundo recebendo uma descarga de estresse no corpo a cada 15 minutos. É o que acontece quando percebemos que o ônibus está chegando.''
Dona Romilda Corte Negri foi a primeira moradora do Jardim San Fernando, há 15 anos. Ela recordou as inúmeras reclamações feitas pelos moradores ao longo de todo este tempo e o fato de nunca terem sido atendidos. ''A gente não dorme mais de manhã, a casa treme. Está difícil e ninguém faz nada.''
''Já fechamos a rua, trancamos os ônibus e nada'', rememorou a moradora, que briga pela melhoria do asfalto há seis anos. Segundo dona Romilda, os moradores da Rua Brasil Filho já pediram um abrigo para os passageiros que esperam o ônibus, mas ainda não foram atendidos. ''Todo mundo sofre'', declarou.
Ainda conforme a pioneira do bairro, a cada seis meses a prefeitura remenda os buracos, ''só para disfarçar''. ''A gente que limpa o mato na beira da estrada porque ninguém limpa e apesar das multas, ninguém fiscaliza também.''
De acordo com Maristela, um abaixo-assinado com o nome de todos os moradores foi entregue à Promotoria do Meio Ambiente, que deverá encaminhar o documento à Prefeitura. ''A gente não tem retorno algum dos impostos que paga'', lamentou.

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