Um incêndio em um ônibus de turismo no Conjunto Ernâni Moura Lima (zona leste de Londrina), assustou moradores da Rua Dionísia Oliveira Tavares, que foram acordados ontem de madrugada com o cheiro e a fumaça. O ônibus, de propriedade do empresário Décio Carlos Rodrigues, estava estacionado em frente à casa da família. A ação só foi percebida por Rodrigues por volta das 4h30, quando ele ouviu o barulho dos vidros estourando.
O empresário e o filho tentaram conter as chamas com uma mangueira, mas o interior do veículo ficou completamente. "Foi um susto enorme, porque acordamos e vimos a fumaça entrando na casa, chegamos até a pensar que pudesse ser aqui dentro", conta a esposa de Décio, Kátia Valéria Rodrigues. Ela contou que há cerca de quatro meses o marido encerrou o contrato de transporte de uma equipe base de futebol e o veículo já estaria arrendado para transportar trabalhadores da região. O veículo seria levado ontem. A família morava há cerca de um mês nesta residência.
O Corpo de Bombeiros foi acionado, mas quando a equipe chegou o incêndio já havia sido controlado pela família. Segundo Kátia, o ônibus estava estacionado na frente da casa da família porque passaria por uma manutenção mecânica. A bateria do veículo havia sido, inclusive, retirada e por este motivo a família descarta a possibilidade de pane elétrica. Também foram encontradas duas garrafas de gasolina jogadas sobre um dos bancos do ônibus, que podem indicar uma ação criminosa.
"Acreditamos que tenha sido criminoso, mas não sei dizer quem pode ter feito isso, porque meu marido, nem nenhum de nós, tem algum tipo de desafeto. De repente foi mesmo algum vândalo", disse Kátia.
Peritos do Instituto de Criminalística iriam ontem à tarde realizar uma vistoria no veículo.
A quantidade de fumaça dispersada foi tamanha, segundo a dona de casa Suellen de Lima, que o marido foi intoxicado e passou mal. "Ele tem bronquite e ficou bem ruim, vai ter que ir para o hospital", disse a moradora, afirmando não entender por que alguém praticou o ato criminoso. "Aqui é bem tranquilo, sempre tem policiamento, não sei o que aconteceu."
Já o segurança Nelson Fernandes, morador do bairro há 24 anos, destacou que essa não é a primeira vez que veículos são incendiados. "No fim do ano passado colocaram fogo em um carro que estava em frente à casa de um morador na Rua Conceição Leonita Gayon; fiquei sabendo de outros dois neste ano", garantiu.
A dona de casa Maria de Lourdes da Silva, moradora do bairro há cerca de 25 anos, também disse que ouviu sobre algumas ocorrências. "A gente sempre fica sabendo de casos aqui e ali. Não sei se os proprietários não registram boletins de ocorrência e por isso a PM não pôde fazer nada, mas as coisas continuam do mesmo jeito", salientou.
Para o porta-voz do 5º Batalhão da Polícia Militar, capitão Nelson Villa, a ação supostamente criminosa seria uma fato isolado e a PM não tem conhecimento e nem registro de ocorrências semelhantes no bairro recentemente. Questionado sobre a possibilidade das ações citadas pelos moradores terem alguma ligação com ramificações de organizações criminosas, Villa foi taxativo: "não existe menor possibilidade de que o PCC (Primeiro Comando da Capital) esteja atuando na cidade."

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