Curitiba Empresas de ônibus de Curitiba e região metropolitana ligadas à Companhia de Urbanização de Curitiba (Urbs), órgão vinculado à prefeitura, não estão pagando as multas por excesso de velocidade flagradas pelo radar. A denúncia foi feita pelo agente de trânsito Aparecido Massaranduba, que trabalhava na sala de comando da Diretoria de Trânsito de Curitiba (Diretran), que valida as penalidades flagradas pelos radares espalhados pela cidade.
Massaranduba constatou, através de documentos extraídos pela internet, que as infrações impostas aos ônibus vinculados à Urbs, validadas por ele, não eram transformadas em multas registradas no Departamento de Trânsito (Detran-PR). A Urbs admite que as multas impostas aos ônibus urbanos pelo radar não são validadas pela empresa. Segundo o diretor de Transportes, Euclides Rovani, quando os ônibus ultrapassam a velocidade permitida, de 60 km/h, eles são penalizados através do tacógrafo instalado em todos os veículos.
A denúncia foi encaminhada ao gabinete do vereador Adenival Gomes, líder do PT na Câmara Municipal, que por sua vez está pedindo investigação do Ministério Público federal e estadual. Gomes disse que a denúncia comprova um esquema de fraude ''que põe em xeque toda a fiscalização eletrônica de trânsito em Curitiba''. O vereador quer instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a fundo as relações entre a administração municipal com os atuais empresários do transporte coletivo de Curitiba. Por outro lado, os ônibus de turismo, que trafegam por Curitiba, e não têm relação com a Urbs, que são flagrados em alta velocidade, são multados.
Massaranduba mostrou imagens de ônibus pertencentes a várias empresas. Conforme documentação apresentada, o ônibus de placa AHH 6751 deveria ter sido multado porque passou com velocidade de 79 Km/h, no radar instalado na Avenida Comendar Franco (das Torres). A penalidade foi validada na sala de controle da Diretran no dia 1º de fevereiro deste ano. Mas na consulta de débitos do veículo na página da internet do Detran, nada consta. Esse mesmo veículo teve multas registradas em outubro e novembro de 2002 e uma multa, em janeiro deste ano. Nenhuma delas consta no extrato de débitos emitido pelo Detran.
O agente começou a desconfiar do esquema, quando foi obrigado a colocar códigos diferentes nos ônibus vinculados à Urbs, dos demais veículos. O código representa a validação da multa. Massaranduba teve certeza de que os ônibus não pagam as multas porque apenas um veículo teve cerca de 20 multas, só este ano, sem qualquer registro no Detran.

mockup