Mesmo com o fim da greve no transporte coletivo, os cerca de 200 mil usuários do sistema em Londrina tiveram que ter paciência ontem à tarde para esperar os ônibus nos pontos. Isso aconteceu, segundo a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), porque as tabelas de horários começaram a ser acertadas também com atrasos no início da tarde. Linhas de transportes especiais não funcionaram.
De acordo com o coordenador de transportes e terminais da CMTU, Wilson Santos, os 310 ônibus que compõem a frota voltaram às ruas entre 14h e 14h30, incluindo aquelas que serviam aos distritos rurais. O serviço deve estar funcionando normalmente hoje.
A opção dos grevistas pelo retorno total às atividades foi decidida no final da manhã de ontem. Em assembléia realizada em frente à entrada principal da garagem da empresa Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL), na Vila Recreio, a maioria preferiu normalizar completamente o transporte coletivo em vez de retomar 30% do serviço nos horários normais e 50% nos períodos de pico, conforme o exigido por liminar do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) do Paraná.
''A paralisação foi suspensa em consideração aos usuários. Retomar 30 ou 50% não resolve o problema da população. Toda a frota ainda é mínima para atender à demanda'', justificou João Batista da Silva, presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Coletivo de Londrina (Sinttrol). A hipótese de não cumprir a decisão judicial nem foi discutida. ''Essa possibilidade poderia acarretar consequências cruéis para os funcionários, como demissões por justa causa, determinação de ilegalidade da greve, além da multa de R$ 20 mil por dia prevista na decisão judicial'', argumentou Batista.
Mas antes mesmo do fim da greve, alguns ônibus já estavam transportando passageiros dos bairros em direção ao centro. Por volta das 6 horas da manhã, os grevistas tentaram impedir a saída de 14 ônibus da garagem da TCGL, gerando um tumulto no local. Policiais militares intervieram.
Enquanto os funcionários faziam piquete na entrada principal, outros veículos usavam a saída secundária. ''Tem aposentado, mecânico, manobrista e até lavador dirigindo ônibus'', denunciou um sindicalista. O presidente do Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros e de Características de Metropolitano de Londrina (Metrolon), Paulo Bongiovani, admitiu que funcionários de outros setores tiraram os carros da garagem, mas apenas para levá-los até os motoristas. (Colaborou Luciano Augusto)

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