ONGs traçam estratégias para evitar uma epidemia de Aids
PUBLICAÇÃO
domingo, 22 de março de 1998
Osmani Costa 
Terminou ontem, no anfiteatro do Hotel Sumatra em Londrina, o 4º Encontro de ONGs/Aids da região sul do País, que teve como principais objetivos promover o intercâmbio de experiências no combate à epidemia da doença, desenvolver parcerias entre as Organizações Não Governamentais (ONGs) que trabalham questões ligadas aos portadores do vírus do HIV, e traçar estratégias de pressão às autoridades públicas para a execução de políticas de atendimento aos doentes.
O encontro, que reuniu cerca de 50 participantes do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, foi organizado pela Associação Londrinense Interdisciplinar de Aids (Alia), Grupo Reagir de Apoio a Soropositivos e Grupo Homossexual Londrinense (GHL).
Além da Aids, foram discutidas também formas de prevenção a outras doenças sexualmente transmissíveis e de combate ao uso indevido de drogas.
Na manhã de sábado, a socióloga Karen Bruck, presidenta do Grupo de Apoio e Prevenção da Aids (Gapa) de Porto Alegre (RS), palestrou sobre Medicamentos: o custo social da epidemia de Aids. Segundo ela, há no Brasil atualmente cerca de 150 mil pessoas contaminadas pelo vírus do HIV cadastradas pelo sistema de saúde pública.
Ainda não há cura para a doença, mas ela pode ser controlada por um coquetel de remédios e o portador pode levar uma vida normal. O problema é que, apesar dos avanços nas pesquisas e produção de medicamentos, eles ainda continuam muito caros e não disponíveis a todos os doentes, comentou Karen Bruck. Ela é também pesquisadora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Segundo Karen Bruck, em consequência da dura competição entre as indústrias farmacêuticas internacionais, os portadores de Aids foram transformados em quase reféns delas.
Prevenir, evitar a contaminação, é sempre muito mais barato que medicar e internar depois. A questão é que já temos milhares de portadores do vírus e eles têm direito ao tratamento e a uma vida digna, sem preconceitos e sem discriminações, que prosseguem existindo em muitos locais, afirmou Karen Bruck.
De acordo com a presidente do Gapa de Porto Alegre, outro problema sério é a falta de regulamentação da legislação referente à responsabilidade pública pelo atendimento aos doentes.
Esta questão ainda não está claramente definida e regulamentada. Por isto, não se sabe direito se a responsabilidade pelo tratamento e oferta de remédios é do governo federal, do estadual ou do municipal. Daí, quando as autoridades são pressionadas, elas ficam num jogo de empurra-empurra. E os doentes ficam ao sabor dos secretários de saúde, dos prefeitos, da maior ou menor sensibilidade deles. Isto é muito complicado e muito ruim.


