ONGs e governo discutem reciclagem
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terça-feira, 12 de dezembro de 2006
Marta Ortega<br>Reportagem Local 
A implantação da coleta seletiva de materiais recicláveis nas instituições federais foi discutida ontem pela manhã, entre representantes de órgãos do governo e de ONGs de reciclagem de lixo de Londrina. O decreto 5.940 de 25 de outubro de 2006, instituído pelo governo federal, foi exposto pela secretária executiva do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Márcia Lopes. ''No Paraná resolvemos começar o contato por Londrina porque aqui já existe um trabalho muito organizado de coleta e reciclagem'', disse. Vinte entidades foram convidadas, mas apenas representantes de cinco compareceram à reunião.
O projeto do governo Lula prevê que os órgãos federais separem o lixo reciclável, que será doado para ONGs, obedecendo alguns critérios, como ser uma associação constituída exclusivamente por catadores que tenham esse trabalho como única fonte de renda, possuir infra-estrutura para triagem e classificação de resíduos e apresentar sistema de rateio entre os integrantes.
Hoje, quatro mil instituições e um total de 660 mil servidores públicos em todo o País separam 22 mil toneladas de lixo por mês. ''A idéia é fazer um trabalho organizado para aumentar a coleta'', apontou Márcia.
A coleta seletiva solidária de resíduos será implantada em 3,9 mil prédios públicos federais do Brasil, espalhados em 757 municípios. Em 292 dessas cidades, existem 454 cooperativas e associações de catadores que poderão ter esse material como fonte de renda. Logo após o decreto, outros 27 municípios implantaram leis para fazer a reciclagem.
''Não é um processo simples. Não basta apenas separar o lixo. O município precisa ter estrutura para transportar, armazenar, fazer a triagem e criar todas as condições até o final do processo.'' Um comitê interministerial vai acompanhar os trabalhos. As ONGs têm até janeiro para formar comissões para participar do programa. A previsão é que num prazo de 180 dias, o programa já esteja funcionando.
No ano passado, o governo federal repassou R$ 1,2 milhão para capacitação dos catadores, através do programa Organização de Auxílio Fraterno (OAF). ''Este ano estamos liberando mais R$ 3 milhões para as cooperativas para capacitação e compra de equipamentos'', afirma Márcia Lopes.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDS) também abriu uma linha de financiamento para compra de equipamentos. O Projeto de Inclusão Produtiva para catadores ajuda na aquisição de equipamentos e construção de galpões para armazenagem do lixo. Para isso, foram liberados outros R$ 3 milhões no Brasil e um total de R$ 617 mil no Paraná.
Segundo a presidente da Central de Prensagem e Venda (Cepev), Sandra Araújo Barroso da Silva, Londrina tem hoje cerca de 500 recicladores em 29 ONGs espalhadas pela cidade. O total de lixo recolhido é de 70 a 75 toneladas por dia. ''O mais importante deste programa é a geração de empregos. Tendo mais lugar e mais lixo para recolher, teremos que aumentar o número de funcionários. Isso significa menos pessoas desempregadas nas ruas.''


