Um encontro entre deputados estaduais da Comissão de Meio Ambiente da Assembléia Legislativa e representantes da Fundação O Boticário de Proteção à Natureza e da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS) pode ter marcado ontem o início de trabalhos em conjunto entre parlamentares e Organizações Não-Governamentais (ONGs). Pela primeira vez, as entidades foram chamadas para prestar esclarecimentos sobre atividades desenvolvidas, doações recebidas e investimentos feitos em áreas ambientalmente protegidas.
Para comprovar os trabalhos desenvolvidos, as duas ONGs apresentaram os resultados das auditorias feitas pelo Ministério Público nas duas entidades. O relatório da Fundação O Boticário mostra que, em dez anos de atividade, a fundação investiu em 707 projetos, um total de recursos de R$ 8 milhões. Deste total, 20% foram aplicados no Paraná.
O trabalho da fundação foi explicado detalhadamente pelo diretor técnico da Fundação O Boticário, Miguel Milano. ‘‘Os recursos são controlados pelo Banco Central e fiscalizados pelo Ministério Público. Temos um trabalho transparente’’, assegurou ele.
Um dos investimentos mais significativos foi a compra da área de 2,5 mil hectares do Salto Morato. ‘‘É uma reserva modelo. Gostaríamos de ter uma reserva modelo em cada região do Brasil. Mas este é ainda um sonho distante. Precisamos de recursos para preservação da área’’, destacou Milano. Questionado se na reserva serão feitos estudos científicos sobre cosméticos ou perfumes, Milano foi enfático. ‘‘Não temos qualquer vontade de fazer pesquisa científica em área destinada à conservação. São coisas distintas. Não irá ocorrer’’, salientou.
Depois da apresentação da SPVS, os deputados solicitaram informações da compra de uma área de 7 mil hectares em Guaraqueçaba, numa área de proteção ambiental. ‘‘É uma área de proteção ambiental, mas que estava sendo depredada’’, afirmou Clóvis Borges, diretor executivo da ONG. A entidade teve as contas auditadas pelo Ministério Público, que não encontrou qualquer indício de irregularidade. ‘‘Sabemos que as entidades estão sob suspeita porque recebem doações e achamos salutar esclarecermos. É uma oportunidade de mostrar para as pessoas aquilo que fazemos’’, relatou.
O deputado Neivo Beraldin (PSDB), presidente da Comissão de Meio Ambiente, deverá realizar uma visita nas áreas adquiridas em Guaraqueçaba para verificar os investimentos realizados, acompanhado pelos demais parlamentares da comissão. ‘‘A princípio, pode estar havendo desvio de recursos e vamos conferir isto in loco’’, afirmou. A viagem está marcada para este fim de semana.
Beraldin questionou ainda o fato de os ambientalistas investirem em conservação de áreas de proteção ambiental. ‘‘Por que não aplicar estes recursos em esgoto, saneamento básico, água tratada? Deveria haver mais preocupação destas ONGs com a questão social’’, enfatizou. Para os ambientalistas, os recursos são captados para o desenvolvimento de atividades ligadas à conservação da natureza e sua boa aplicação é uma forma de se preocupar com a questão social: ‘‘sem áreas naturais bem cuidadas, a humanidade não terá futuro’’, afirma Clovis Borges.

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