ONG Viver lança Novembro Dourado
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sábado, 16 de novembro de 2013
Micaela Orikasa<br> Reportagem Local 
Londrina - Combater o câncer infanto-juvenil é uma missão que não cabe somente aos profissionais da saúde e órgãos públicos, mas à toda população. A doença, ao contrário de quando acomete adultos, não pode ser prevenida e, portanto, deve ser olhada com muita atenção e sensibilidade. Se diagnosticado precocemente, o câncer em crianças e adolescentes tem índice de cura de até a 90%.
É por isso que campanhas tem sido intensificadas no país, visando alertar a sociedade sobre a importância de identificar os casos quando ainda estão em fase inicial. Em Londrina, a ONG Viver realiza a campanha "Novembro Dourado", uma das atividades para marcar o Dia Nacional de Combate ao Câncer Infantojuvenil, comemorado em 23 de novembro. A iniciativa é da Confederação Nacional das Instituições de Apoio à Criança com Câncer (Coniacc) e tem o objetivo de tornar o assunto mais conhecido pela população.
Pela relevância do tema, a data também foi instituída em Londrina como Dia Municipal de Combate ao Câncer Infantojuvenil. O lançamento oficial da campanha será na próxima terça-feira (19), na Câmara de Vereadores. No dia 23, voluntários e integrantes da ONG Viver estarão presentes no Calçadão (área central), das 9 às 12 horas, dando orientações sobre os sinais e sintomas do câncer infantil, que costumam ser comuns a outras patologias.
Também faz parte da campanha a comercialização de esmaltes dourados (R$ 5), camisetas (R$ 25) e bótons, que podem ser adquiridos na própria entidade ou em pontos de venda, como salões de beleza e alguns estabelecimentos comerciais de Londrina. "Assim como a câncer de mama é representado pelo lacinho rosa, o câncer infantil tem o lacinho dourado. É uma campanha que começa tímida, mas esperamos que com o tempo ela ganhe dimensão, assim como o Outubro Rosa", comenta a diretora da ONG em Londrina, Nina Cotello.
A arrecadação com a venda dos produtos ajudará nos custos da própria entidade, que há 12 anos atua como uma Casa de Apoio a pacientes com câncer de 0 a 21 anos e seus familiares. De acordo com Nina, atualmente são 270 pacientes cadastrados, oriundos de 57 municípios do Estado. "Oferecemos toda a assistência extra-hospitalar, como medicamentos, próteses, cesta básica, suporte nutricional e psicológico, atendimento odontológico e oficinas para mães visando a geração de renda das famílias", explica a diretora, ressaltando que o custo mensal da entidade (sem próteses) gira em torno de R$ 25 mil. "Todo esse valor é fruto de doações", ressalta.
No Brasil, o câncer é a segunda causa de morte em crianças e adolescentes. Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) estimam de 4,7 mil a 19 mil novos casos por ano, mas apenas 3.040 são registrados. Para se ter uma ideia, em 2012 surgiram mais de 11 mil casos. "Hoje, em algumas localidades do país, o índice de cura chega a 48% devido ao diagnóstico tardio. É por isso que é preciso alertar a população para que cada vez mais a doença seja diagnosticada na fase inicial, pois as chances de cura quase duplicam", salienta Nina. "Quando o diagnóstico é feito em tempo, mais de 70% das crianças com câncer são curadas", reforça a cancerologista pediátrica e coordenadora do programa Diagnóstico Precoce, da Associação Paranaense de Apoio a Criança com Neoplasia (Apacn), Mara Pianovski, de Curitiba.
Para isso é muito importante a observação de alguns sintomas e o atendimento médico. A oncologista pediátrica Tânia Anegawa explica que os principais sinais são: cansaço contínuo, dores de cabeça principalmente pela manhã, alteração no caminhar, caroços ou manchas pelo corpo, reflexo branco nos olhos, palidez notável e perda de peso.
Com uma experiência de nove anos em Londrina, a especialista comenta que ainda existe uma mística na palavra câncer. "Muitos pais, quando descobrem que o filho tem câncer, não acreditam na cura. Em alguns casos chegam até a descartar o tratamento", diz Tânia, revelando também que ainda há atrasos no diagnóstico por despreparo de médicos. "Alguns têm medo até de pensar em câncer porque simplesmente não querem pensar nisso. Diante disso, as campanhas de conscientização ganham relevância também para os profissionais", completa.
Outra questão ressaltada pela especialista é o tratamento. Ela esclarece que apesar de cada caso ter sua especificidade, a criança é a que melhor responde ao tratamento. "Ainda é um tratamento sofrido, mas melhorou como um todo, tanto em infraestrutura, exames e medicações", conclui.


