Arrombamentos de residências e empresas são relativamente comuns, mas na madrugada de ontem o alvo dos ladrões foi uma entidade que atende 220 crianças e adolescentes que lutam contra o câncer. A ONG Viver desenvolve um trabalho com pacientes de famílias de baixa renda, que moram em outras cidades e vêm até Londrina fazer tratamento. Já são dez anos de atuação no município.
De acordo com Élvio Garcia, voluntário da instituição, será preciso realizar um levantamento municioso para contabilizar os prejuízos. ''Tudo que temos é material de doação. A pessoa que entrou aqui arrombou os armários em que guardamos os equipamentos eletrônicos; muita coisa foi levada'', lamentou. Ele disse que roupas de cama e uma bicicleta que seria rifada também foram roubadas.
Conforme o porta-voz do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM), capitão Ricardo Eguedis, as equipes estão trabalhando em busca do responsável pelo furto. ''É uma situação complicada. Não se respeita nem os projetos sociais que buscam melhorar a vida de quem já precisa de ajuda'', disse.
Capitão Eguedis destacou que o arrombamento de instituições não é incomum. ''Até creches de bairros são arrombadas. Em geral levam comida e alguns equipamentos eletrônicos antigos. Quem comete este tipo de crime não tem compaixão'', acrescentou. Ele destacou que a comunidade pode fazer denúncias pelo telefone 181.
As marcas deixadas nas paredes indicam que o responsável pelo furto na ONG Viver entrou por uma janela no andar de cima da instituição, onde ficam os quartos dos pacientes que precisam pernoitar. ''Na noite de quarta-feira um jovem de 16 anos dormiu na casa. O assalto poderia ter virado uma tragédia se ele estivesse aqui nesta noite'', obsevou.. Quando o invasor tentou chegar ao térreo da casa, o alarme foi disparado. ''Não sabemos se era mais de uma pessoa, mas ele fugiu pelo mesmo lugar que entrou e levou tudo que podia carregar'', explicou.
Até o dia do furto a sede da ONG, construida por meio de uma parceria com uma multinacional, tinha alarme monitorado apenas na parte térrea. ''Hoje (ontem) a equipe da empresa de alarmes, que nos doa o serviço, veio fazer a instalação dos equipamentos no primeiro andar da nossa casa'', disse. ''Se não fosse o sensor da parte de baixo certamente ele teria levado muito mais coisas'', acrescentou.
Voluntários
Todo o material furtado seria transformado em dinheiro para ajudar na compra de medicamentos que não são cedidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). ''Ajudamos nossos pacientes com cestas básicas, suplementos alimentares, remédios e até próteses. Tudo que temos é resultado de muito trabalho voluntário, colaboração da comunidade e parceria de empresas'', afirmou Garcia. A bicicleta roubada seria o prêmio de uma rifa. ''Eram duas bicicletas, agora a rifa está suspensa enquanto não conseguirmos a outra'', lembrou.
A presidente da ONG Viver, Jeanina Cotello, estava indignada. ''Somos uma instituição que presta um serviço idôneo apenas com o apoio de voluntários. Até agora não conseguimos entender como alguém assalta uma instituição beneficente'', questionou. Ela disse que o objetivo agora é instalar grades em todas as janelas. ''Estamos procurando parceiros que possam nos ajudar.''
Serviço - Quem quiser colaborar pode visitar a ONG Viver, que fica na Rua Lucilla Ballalai, 391, fone (43) 3343-0044.

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