Os doentes reumáticos de Londrina deverão ter menos dificuldade para conviver com o problema daqui para frente. Começou a funcionar oficialmente na última sexta-feira o Centro de Apoio aos Portadores de Doenças Reumáticas de Londrina (Rheuma), uma associação civil sem fins lucrativos que pretende atuar em várias frentes com um único objetivo: atenuar o sofrimento dos portadores de reumatismo e seus familiares.
Segundo a presidente do Rheuma, Giselle Cristiane Soares Dellatore, quase sempre o reumatismo é visto como uma doença de idosos, quando na verdade pode acometer jovens e crianças também. Só em Londrina, pesquisa realizada junto ao Sistema Ambulatorial Médico e Estatístico (Same) do Hospital Universitário (HU) e Hospital de Clínicas (HC) mostra que até março deste ano foram atendidos 105 pacientes até 11 anos; 65 pacientes de 12 a 17 anos; e 778 adultos.
A ONG vai prestar assistência integrada e gratuita aos pacientes, com o trabalho voluntário de médicos e instituições parceiras, nas áreas terapêutica, de fisioterapia, ortopedia, neurologia, nutrição, oftalmologia, odontologia, cardíaca e pneumologia, entre outros. ''Queremos diminuir o tempo de espera para tratamento. A proposta é fazer um mapeamento dos doentes, com informações como idade, tipo de tratamento, medicamentos utilizados, condições financeiras, local de moradia. Uma das possibilidades é encaminhá-los para as universidades, onde poderão receber tratamento interdisciplinar'', explica Giselle.
A princípio, as reuniões do Rheuma vão acontecer uma vez por mês no Centro Pastoral da Paróquia São Vicente de Paulo, na Avenida Madre Leônia Milito (Zona Sul). Nestes encontros, os pacientes receberão informações sobre as doenças reumáticas (existem mais de 100 doenças diferentes sob a denominação de reumatismo), sobre seus direitos, as novidades terapêuticas e as alternativas de tratamentos.
Acostumados a um dia-a-dia cheio de limitações, os pacientes estão animados com a possibilidade de receber tratamento adequado para a doença. ''Minha vida inteira eu senti muitas dores, mas a artrose só foi diagnosticada há seis anos, quando meus dedos começaram a deformar e eu fui atendida por um reumatologista. Os ortopedistas só me diziam que era problema de coluna'', conta a dona-de-casa Sonia Maria Teixeira e Silva, de 48 anos.
Ela teve que parar de tomar o medicamento recomendado, por falta de recursos. ''Durante 2,5 anos, tomei remédio para malária, que era o único que o SUS distribuía. Depois descobri que estava piorando minha vista e tive que parar. Sentia tanta dor que amarrava minhas pernas para dar uma aliviada. Eu mal conseguia andar.'' Sonia diz que o tratamento que fez durante dois meses melhorou bastante as dores, mas tem dias que as noites são um verdadeiro tormento. ''A gente deita moída e levanta quebrada'', define.
A diarista Elza Barbosa Xibiaque, 50 anos, que descobriu que tem artrite reumática há seis meses, relata que o pior momento do dia é ao sair da cama. ''Depois, conforme a gente vai se movimentando, melhora.'' Ela conta que a doença ''apareceu de uma hora para outra'', com inchaço nas juntas. ''De repente, não conseguia mais movimentar os braços, nem pentear os cabelos.''

Serviço
Mais informações sobre o Rheuma no site rheuma.org.br, pelo e-mail [email protected] ou pelo celular (43) 9976-7222.

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