A organização não-governamental (ONG) Centro de Atendimento aos Moradores de Rua (Camor) deverá fazer uma reavaliação de seu programa de atendimento antes que possa reabrir o abrigo, fechado há uma semana após interdição determinada pelo Ministério Público (MP) de Londrina. A decisão foi tomada ontem, durante uma reunião na Câmara de Vereadores, entre diretores da ONG e representantes do poder público, para discutir o destino do abrigo. O fechamento foi motivado por condições de insalubridade e assistência à saúde inadequada detectadas pela Vigilância Sanitária.
O encontro teve a participação das secretarias municipais de Assistência Social e Saúde. De acordo com a diretora técnica da Secretaria de Saúde, Cirlene Maria Ferreira, a ONG não poderá pleitear recursos junto ao Município enquanto não tiver realizado as adequações necessárias. ''Sem o registro, a entidade não pode receber recursos. Poderemos colaborar se estiverem dispostos a recomeçar do zero e se adequarem'', disse.
Membros do Camor contestaram a avaliação da Saúde e do MP que levou ao fechamento do abrigo, onde 14 pessoas vinham sendo atendidas. ''Os doentes não estavam sem tratamento. Estavam sendo medicadas e tinham até atestado médico do hospital onde foram atendidas'', alegou a advogada da ONG, Eloísa Saldiva.
A assistente social do MP, Maria Giselda de Lima, exemplificou as más condições encontradas no abrigo mencionando a falta de acesso a cadeiras de rodas no banheiro. ''Um dos atendidos, que era cadeirante, estava fazendo todas as suas necessidades na cadeira'', destacou.
A vice-presidente da Comissão de Seguridade Social da Câmara, vereadora Márcia Lopes (PT), tentou pôr fim à discussão. ''A partir de agora tem que ficar claro o projeto que a entidade tem, inclusive avaliando quanto custaria o atendimento integral ao morador de rua'', assinalou.
O presidente nacional da ONG Camor, bispo Antônio de Oliveira, disse que pretende conversar com os técnicos do Município e delinear uma proposta efetiva de adequação ao abrigo. Ele criticou, contudo, as exigências constantes do laudo do MP. '''Eles pedem que tenhamos até sabonete líquido no banheiro. Isso é o tal atendimento mínimo?'', indagou.

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